Hiromi Uehara vem ao Rio para mostrar seu piano muito além do preto e branco

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Aos 43 anos, Hiromi Uehara, prodígio japonês do piano, pode dizer que sua evolução está bem documentada. Aos 6, ela se recorda de ter começado a aprender piano com uma professora que tocava música clássica, jazz e pop. Aos 8, já estava obcecada pelo jazz, estilo no qual, diferentemente do clássico, os músicos podiam ir além da partitura e improvisar.

Aos 24, ela misturou tudo o que tinha ouvido e tocado até então em seu álbum de estreia, “Another mind”. Seis anos depois, à beira dos 30, Hiromi lançou “Place to be”, disco de piano solo em que pretendia registrar o momento do seu estilo. Gostou tanto da experiência que, uma década depois, gravou outro disco nesse mesmo formato, “Spectrum”.

— Cada vez que eu toco, nunca é a mesma coisa. É como fazer uma viagem junto com a música — diz por e-mail a pianista, que se apresenta quinta-feira, só com o seu instrumento, no Theatro Municipal, abrindo no Rio a 13ª edição da série Jazz All Night, da Dellarte.

É a segunda vez que Hiromi toca solo na cidade. Em 2016, ela viria com seu trio (formado por dois veteranos do jazz, pop e rock, o baixista Anthony Jackson e o baterista Simon Phillips), mas por alegados problemas de saúde, ela acabou sozinha no palco.

Agora, a japonesa se apresenta sem acompanhamento por vontade própria: ela quer mostrar “Spectrum”, sua travessia solitária por um vasto conjunto estilístico (e cromático) que inclui composições próprias como “Kaleidoiscope”, “Whiteout” e “Yellow Wurlitzer blues”, um “Blackbird” (Beatles) e um “Rhapsody in various shades of blue”, que vem a ser um azulado medley de “Rhapsody in blue” (George Gershwin), “Blue train” (John Coltrane) e “Behind blue eyes” (The Who).

— Sinto que, quanto mais você toca seu instrumento, mais cores você tem à sua disposição. Tocar música é como pintar: quanto mais cores, mais formas de se expressar você tem. Acho que hoje tenho mais cores na minha paleta do que há dez anos, por exemplo. Também é interessante que tantas cores diferentes de som saiam do piano, que só tem teclas pretas e brancas! — observa a artista, que diz esperar um som “mais rico e mais amplo” do que quando tocou no Rio em 2016.

Como muitos músicos, Hiromi sentiu muito a falta das plateias no isolamento durante a pandemia de Covid-19. Voltar aos palcos a fez sentir “em casa, muito viva”, o que não significa que ela tenha ficado parada durante esse tempo: ela compôs a “Silver Lining Suite”, uma peça em quatro movimentos, para piano e cordas, que gravou de forma remota, em 2021, com os violinistas Tatsuo Nishi e Sohei Birmann, o violoncelista Waturu Mukai e a violista Meguna Naka.

— Compus a música como uma forma de registrar a minha jornada emocional durante a pandemia. Foi muito difícil não poder me apresentar ao vivo para o público, já que vivo para isso. Mas ainda assim tive que permanecer forte e continuar compondo e sonhando que algum dia tocaria essas peças diante das plateias novamente — conta a pianista, que hoje em dia vem alternando suas apresentações entre o solo de “Spectrum” e os concertos em quinteto da “Silver Lining Suite”.

Colaborar com grandes músicos (alguns, gigantes do jazz, como o pianista Chick Corea e o baixista Stanley Clarke) é algo que Hiromi sempre apreciou. Em 2017, ela lançou um álbum ao vivo com o harpista colombiano e o jazzista Edmar Castañeda, a quem só tem elogios:

— Eu amo tanto a energia dele no palco, temos uma ótima química juntos, é simplesmente lindo poder compartilhar isso — diz a artista, que guarda boas lembranças do Rio. — Aproveitei muito o meu passeio à praia! Torço para poder fazer isso de novo.

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