Hiroshima lembra 67 anos da bomba atômica em pleno debate nuclear

Protesto antinuclear em Hiroshima, lembra 67 anos da bomba que atingiu a cidade.(Foto: Itsuo Inouye/ AP)Tóquio, 6 ago (EFE).- Hiroshima lembrou nesta segunda-feira às vítimas da bomba atômica que há 67 anos arrasou a cidade e deixou 140 mil mortos, em uma data marcada ainda pela sombra do acidente de Fukushima no ano passado e um movimento antinuclear cada vez mais consolidado.

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Cerca de 50 mil pessoas se reuniram no Parque da Paz de Hiroshima para homenagear as vítimas com um minuto de silêncio às 8h15 locais (18h15 do domingo), a mesma na qual a bomba caía sobre a cidade.
Um menino lança as lanternas de papel no rio Motoyasu em frente ao Domo da Bomba Atômica em Hiroshima. (Foto: Kazuhiro …

"Little Boy", o nome com o qual Estados Unidos batizou a primeira bomba nuclear da história, reduziu a cinzas uma urbe hoje convertida em uma ativa cidade de mais de um milhão de habitantes que, a cada dia 6 de agosto, pede ao mundo que a tragédia não seja esquecida.

Da cerimônia participaram representantes de 71 países, inclusive Estados Unidos e outras potências atômicas como Reino Unido e França, que escutaram a chamada pela paz e pelo desarmamento nuclear do prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui.

Em seu discurso, Matsui pediu que as experiências dos idosos sobreviventes da bomba atômica sejam compartilhadas com o mundo e urgiu que o Japão lidere o movimento pela abolição total das armas nucleares.

Perante um público entre o qual se encontrava também o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, o prefeito solicitou ao governo do Japão mais ajudas para os "hibakusha", como são conhecidas as vítimas das bombas atômicas, que durante anos tiveram que suportar o estigma da discriminação.
Lanternas de papel flutuam no rio Motoyasu em frente ao Domo da Bomba Atômica. (Foto: Kazuhiro Nogi/ AFP)

O país "está imerso em um debate nacional sobre sua política energética, com vozes que insistem que a energia nuclear e a humanidade não podem coexistir", lembrou Matsui, pedindo ao Executivo "uma política energética que garanta a segurança dos cidadãos".

O desastre suscitado pelo tsunami de março de 2011 no nordeste japonês causou a paralisação gradual dos 50 reatores atômicos do Japão, embora no mês passado dois deles tenham sido reativados no centro do país perante a ameaça de cortes na provisão elétrica no verão.

Noda, que respaldou essa iniciativa, sustentou hoje em Hiroshima que sua política é a de reduzir em médio e longo prazo a dependência do Japão das centrais atômicas, das quais, antes da crise de Fukushima, o país obtinha 30% de sua eletricidade.

No entanto, o movimento antinuclear considera o discurso de Noda insuficiente e pede um blecaute nuclear total, com manifestações toda sexta-feira em frente ao escritório do primeiro-ministro nas quais semana a semana cresce a participação, em um país pouco habituado aos protestos.

Cerimônia no memorial de Hiroshima Peace Memorial Park. (Foto: Kazuhiro Nogi/ AFP)Durante a comemoração do 67º aniversário da tragédia atômica de Hiroshima houve também protestos de alguns grupos antinucleares contra as centrais nucleares e contra o governo de Noda, que, entre uma estreita vigilância policial, marcharam pelas imediações do Parque da Paz.

Na cerimônia esteve presente neste ano o neto do presidente americano Harry Truman, que ordenou o lançamento das bombas de Hiroshima e Nagasaki nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente, no capítulo final da Segunda Guerra Mundial.

Clifton Truman Daniel, de 55 anos, viajou ao Japão convidado por uma organização não-governamental para participar das cerimônias nas duas cidades e reunir-se com sobreviventes de ambas tragédias.

Em declarações no final de semana em Tóquio, antes de viajar para Hiroshima, Truman Daniel ressaltou que para sua família é muito importante entender o que aconteceu e as "consequências totais" das decisões tomadas por seu avô. EFE

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