A história da chef Débora Shornik que deixou São Paulo em busca de uma vida perto da floresta, dos saberes indígenas e dos sabores locais

A primeira vez que a chef paulistana Débora Shornik foi ao Amazonas, em 2012, o plano era passar um mês. Ficou muito mais. Retornou a São Paulo apenas para fechar o ciclo ao lado de Paola Carosella, com quem trabalhou por 12 anos. No ano seguinte, fincou os pés na região. “Quando conheci o Rio Negro, fiquei apaixonada e senti que não iria mais embora. Uma energia muito relacionada à floresta, à forma de vida simples”, recorda-se.

Ela mostra todos esses sentimentos no cardápio do Caxiri, restaurante que funciona em um casarão ao lado do Teatro Amazonas e serve sabores como ceviche de peixe amazônico no tucupi; matrinxã na brasa; e nhoque ao molho de cogumelo Yanomami. “Não faço comida típica ou indígena e sim comida regional com o meu olhar”, explica.

Seus primeiros trabalhos foram em Novo Airão, no comando das cozinhas do restaurante flutuante Flor do Luar e no Camu-Camu, do hotel Mirante do Gavião Lodge. Nesse período, adorava as conversas no refeitório, quando os locais ensinavam sobre ingredientes que ela nunca tinha experimentado. “Foi uma pesquisa de vivência, assim me ‘amazoniei’”, conta.

Quem esteve lá recentemente foi o chef Onildo Rocha, que ficou encantado. “Minha melhor surpresa gastronômica deste ano. Fiquei impressionado com a inteligencia da Débora na utilização do produto amazônico no Caxiri”, elogia.

Um dos maiores estímulos da chef é conhecer ingredientes que não estão nem no Google. “O cubiu, fruto chamado tomate de índio, e o japurá, um tempero que lembra wasabi com um queijo azul, são produtos que descobri recentemente”, lista. “Outra surpresa foi o reencontro com o fogo. Esse que os indígenas usam e fazem muito com pouco. Esse pouco tem muitas aspas. Porque não há nada mais valioso e gostoso do que o produto limpo, fresco, sazonal e que, por isso, cuida do meio ambiente.”

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