'Histórias negras precisam ter o olhar de criadores negros', diz diretor artístico de prêmio que vai ao ar hoje no Multishow

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RIO — Logo cedo, ele descobriu que pertencia ao palco. E não de qualquer forma, era “pensando o palco”, como diz. Roteirista, dramaturgo e diretor artístico, Elisio Lopes Jr. se encontrou na arte aos 12 anos, quando começou a escrever peças de teatro. Hoje, aos 45, ele carrega também outro título: o de primeiro redator-chefe negro da TV aberta. Esse reconhecimento, aliás, veio em um dos vários projetos de peso que tem no currículo: o programa “Lazinho com você”, apresentado pelo ator Lázaro Ramos na TV Globo. Além deste, o morador do Catete deixou seu olhar em produções como um documentário sobre a cantora Iza; um musical sobre Dona Ivone Lara; o programa “Esquenta”, também da Globo; e vários DVDs, de cantores como Margareth Menezes e Carlinhos Brown.

O foco agora está num novo projeto, que sairá do forno hoje, às 16h30m, no canal Multishow: o Prêmio Sim à Igualdade Racial, do qual assina o roteiro e a direção artística on-line pela segunda vez. O tema será “Mundo ideal” e, segundo ele, promete fazer refletir.

— Cada um tem o seu mundo, mas ele fica espalhado em pedacinhos de pensamentos. A ideia é provocar o espectador a juntar essas partes e concluir: onde eu estou nesse ideal? O que estou fazendo para torná-lo real? — explica.

Assumir projetos com temas raciais nunca foi um objetivo, mas sempre fez parte de sua carreira, já que é um homem negro e usa a arte para falar da vida. No audiovisual, ele avalia como lenta a inclusão, dentro e fora das telas:

— Apesar de haver grandes fenômenos internacionais de bilheteria e audiência e pretos premiados mundialmente, as histórias protagonizadas, escritas e dirigidas por negros ainda são minoria no Brasil. O racismo vem sendo combatido por nós, mas precisa ser uma causa de todos.

Para a edição deste ano do prêmio, o diretor escolheu apostar na troca do calor da emoção pela informação e fará uma passagem no tempo para lembrar momentos históricos da luta racial no mundo. Ele afirma que trata “como missão” comandar projetos como esses.

— Histórias negras precisam ter o olhar de criadores negros. Não significa que pensaremos igual, mas é a única maneira de conhecermos outras versões do Brasil — diz Lopes Jr.

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