Histórias de personalidades negras são retratadas em pinturas nos muros de Mesquita, na Baixada Fluminense

Flavio Trindade
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Milton Nascimento, Pelé, Zezé Motta, Nelson Mandela e Martin Luther King. Essas e outras personalidades negras ganharam vida em muros do de dois bairros de Mesquita, na Baixada Fluminense. As obras de arte a céu aberto que contam um pouco da história dos povos negros no Brasil e no mundo fazem parte do projeto Revitalizart, parceria entre os artistas e a Prefeitura de Mesquita, que desde o ano passado vem colorindo muros do município com diversas temáticas.

Os painéis desta etapa, feitos por artistas negros, estão nos muros da linha férrea da Avenida Baronesa de Mesquita. No total, há 1,7km de arte sobre as paredes, passando por Cosmorama e Vila Emil. Segundo os grafiteiros, é importante que a história da raça seja contada por quem a vive na pele.

Um destes artistas é Airá O Crespo. Ele ressaltou o momento em que o trabalho foi realizado, com a evidência que o debate sobre racismo estrutural vem tomando na sociedade e nos meios de comunicação, como aconteceu esta semana no “Big Brother Brasil 21”. Durante o programa, o professor João Luiz foi vítima de um comentário racista de Rodolffo. O cantor afirmou que o cabelo do professor era igual ao da peruca da fantasia de homens das cavernas que ele estava usando, no castigo do “monstro”.

— Acho que é crucial dar visibilidade a personagens negros, muitas vezes apagados dos livros de história. O grafite acaba sendo um multiplicador dessa história. Temos que ressaltar que não basta apenas contar a história de personagens históricos, é preciso dar representatividade às pessoas negras. É um tema que está em debate na sociedade, como vimos nessa semana. Mas é preciso cuidado, pois muita gente se aproveita da temática. A nossa história deve de ser contada pela gente — afirma Airá.

Entre os rostos retratados nos murais se destacam nomes como André Rebouças, engenheiro neto de escravos e um dos maiores abolicionistas do Brasil, assim como José do Patrocínio, jornalista, escritor e importante ativista, além do cantor Milton Nascimento e o xará, o ator Milton Gonçalves, a atriz Zezé Motta, o Rei Pelé, entre outros.

Autor da pintura que retrata crianças negras a caminho da escola, o artista Wallace Pato coloca como ponto fundamental do trabalho a mudança da referência cultural da juventude negra da Baixada:

— É importante o fato de ser na rua, onde todos terão acesso à cultura negra, que costuma ser marginalizada. Ali, nos muros, o acesso é universal.

Nos próximos painéis, um deles irá retratar a vida de Michael Jackson, segundo o subsecretário de Cultura de Mesquita, Kleber Rodrigues. Serão três pinturas, abordando três etapas da carreira do artista: a primeira ainda criança, no grupo The Jackson Five, a segunda no início da carreira solo e, a terceira, de sua passagem pelo Brasil em 1996.