Histórias por trás dos números: Maria de Lourdes amava a família e o carnaval de Vila Isabel

Carolina Mazzi
Maria de Lourdes: a técnica de enfermagem é mais uma vítima da Covid-19

Maria de Lourdes Cunha Machado, de 80 anos, vivia rezando por todos e obrigava os netos a sair de casa sempre com casaco a tiracolo — mesmo se o dia estivesse ensolarado. Era mãe, avó e bisavó protetora e amorosa. Nascida e criada no bairro de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, a técnica de enfermagem aposentada morreu em 11 de maio, vítima da Covid-19.

Maria de Lourdes foi a primeira negra a trabalhar no Sesi como técnica de laboratório, conta com orgulho sua filha Eloisa. Como “boa cria” do tradicional bairro, amava carnaval. Foi casada por 61 anos com Jaime Machado, seu companheiro de vida e de samba. Juntos, foram um dos primeiros sócios do Clube Renascença, famosa casa de samba da região. Ela também foi a grande apoiadora do marido durante os 30 anos em que ele foi diretor de harmonia da Unidos de Vila Isabel.

A generosidade era tão grande que a família decidiu continuar seu legado. Para homenageá-la, parentes e amigos doaram seus pertences, como roupas e objetos pessoais, para pessoas que enfrentam dificuldades financeiras durante a pandemia.

— Ela tomava as dores de quem amava para si e sempre tinha um sorriso e uma palavra de apoio para todos, fosse criança, jovem, adulto ou idoso — lembra a neta Luanda. — A ação foi pensada para ajudar o próximo pois é algo que temos certeza que ela faria. E acho que ela iria gostar se fosse homenageada dessa forma.

Sua paixão pela vida era admirada e será lembrada por todos, diz Luanda:

— Gostava de dançar, viajar, curtir a família e conversar com as amigas.

Maria de Lourdes deixa marido, uma filha, duas netas e um bisneto, Enzo.

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Em seu tempo livre, deitado na rede, conversava e ria com pessoas queridas ao telefone. Morreu em Fortaleza.

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67 anos

Exerceu a Medicina de forma brilhante até os 50 anos, quando interrompeu a carreira acometida pelo lúpus. Morreu em Belém.

Ângelo Montano Neto

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Sempre se cuidava, muito vaidosa. A bolsinha era seu acessório preferido. Teve nove filhos. Morreu em Manaus.

João Thony Fuly

72 anos

Homem de riso solto, tinha sempre uma piada na ponta da língua. Morreu no Rio.