Histórias vividas pelos bares do Méier inspiram livro

·2 minuto de leitura

RIO — Ah, se os bares do Méier falassem... Já que não é possível que os estabelecimentos contem “pessoalmente” as histórias que testemunham de bebedeiras, amores, desamores, amizades, brigas e rixas esportivas, entre outras emoções, o escritor Fael Uchôa cumpre esta missão. Nascido e criado no bairro, este rubro-negro registrou no livro “Contos contados pelos bares” (Editora Publique Seu Livro) passagens que viveu no seu lugar ao lado dos amigos. O desejo de registrar os casos compartilhados com os parceiros do subúrbio carioca vem de longa data, mas colocar essa ideia no papel não foi algo imediato.

O primeiro contato de Uchôa com a literatura se deu através das poesias, na adolescência. Aliás, foram os versos que tiraram as pedras do caminho que o impediam de tornar públicas as suas aventuras nos botecos do bairro da Zona Norte.

— Eu tenho um perfil no Instagram em que posto as minhas poesias (@mar_poesia), uma paixão antiga. Há pouco mais de um ano, através da rede social, surgiu o convite para participar de um livro coletivo de poesias e poemas. A partir desta experiência, compartilhei com a editora a minha intenção de publicar uma obra de contos exclusivamente com histórias vividas em bares do Méier. Para minha alegria, o projeto foi aprovado, e o sonho virou realidade — conta o poeta e também militar.

Seja pela fugidinha para assistir a um jogo do Flamengo em meio à cerimônia de casamento de um amigo ou pela acolhida que ameniza as inevitáveis dores de cotovelo, a saga dos sete amigos nos botecos da região dá muito o que falar... e o que escrever, claro!

— O primeiro amigo do grupo a se casar escolheu justamente o dia de um jogo importante do Flamengo. Por conta disso, estávamos na Basílica Imaculado Coração de Maria (no Méier) com a cabeça na partida. A salvação foi o bar que ficava perto. Toda hora um amigo dava um pulo lá para ver o resultado. Foi um casamento entre a igreja e o bar — diverte-se Uchôa. — É bebendo uma gelada que a gente chora dor de amor, vibra com a conquista da pessoa amada, comemora um emprego novo, um aumento de salário...

Na página de apresentação do livro, Uchôa faz questão de homenagear um profissional para lá de especial para quem gosta de bares:

— Os garçons dão a maior moral para a gente, então esse reconhecimento é mais do que merecido, porque sem eles o bar simplesmente não funciona.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos