"Histórias de quem mostrou": Sheila Mello e Rita Cadillac discutem sexualização

Com as mulheres cada vez mais empoderadas, crescem também as discussões sobre a objetificação do corpo feminino. Como a sociedade machista, com mídias igualmente problemáticas, retratam as mulheres, especialmente as que ousam demonstrar sensualidade?

É o que o Yahoo discute com Rita Cadilac e Sheila Mello, consideradas sex symbols nos anos 1980 e 1990, respectivamente. Em entrevista para o projeto especial "Histórias de quem mostrou demais", as artistas avaliam a forma como são retratadas, os limites muitas vezes cruzados por quem as sexualiza e como reagem à objetificação e à opressão dos que tentam controlar seus corpos.

Assista o vídeo completo acima e, abaixo, confira alguns destaques:

Relações amorosas

<p>A ex-chacrete criou seu perfil no OnlyFans aos 66 anos.

A ex-chacrete criou seu perfil no OnlyFans aos 66 anos.

Em todos os meus relacionamentos, as pessoas começam na paquera da Rita Cadilac e acham que a Rita Cadilac tem que ser 24 horas para essa pessoa, então eu tenho que estar sexy, tenho que estar sensual, tenho que ser aquele mulherão que as pessoas imaginam que ela éRita Cadilac

Exposição do corpo

Sheila Mello (Foto: Instagram)
Sheila Mello (Foto: Instagram)

Eu fiz todas as revistas masculinas que o país teve e acho que a nudez é bonita. Se eu estiver gravando ali na Av. Paulista e você falar assim: 'Rita, agora tem que tirar a roupa e desfilar. Eu tiro na maior tranquilidade como se eu estivesse com roupaRita Cadillac

Na minha casa, a nudez não foi uma coisa confortável, minha mãe nunca ficou nua na minha frente e quando eu entrei no Tchan, era uma avalanche de trabalho, de compromissos, que elaboração [era] zero. Então, estava lá com um shortinho curtinho. Tinha que rebolar? Era isso que tinha que fazer? Eu rebolava, nunca tive problema algum no tamanho do shortSheilla Mello

Referências

Sheila Mello

Sheila Mello se defende após polêmica com a filha: 'Fiquei surpresa'
Sheila Mello se defende após polêmica com a filha: 'Fiquei surpresa'

"Acho bem nocivo essa imagem das princesas, esse lugar romântico que a mulher está esperando pra ser salva por um homem. Banalizar a história da Bela Adormecida. Ela está lá dormindo, alguém olha, acha aquela mulher linda e quer possuí-la. E possui. Entre a Brenda [filha de Sheila] admirar a Bela Adormecida, a Cinderela, a Branca de Neve, eu prefiro que a Brenda admire a mãe dela", diz Sheila.

Preconceito e assédio

Todo mundo imagina que a minha relação com os presos era uma coisa muito... sexo. E não tinha nada a ver. Ali era uma época de aids, ia lá e falava: 'Se protege, bota assim [camisinha], bota assado', e como eu sempre tratei muito de igual pra igual, eles sempre me respeitaram muitoRita Cadillac

- Sheila Mello

"Isso não tem nada a ver com "Playboy", isso não tem nada a ver com o tamanho do short do Tchan. Minha filha tem 9 anos e ela já passou por assédio moral. O cerne da questão não é nem quem mostrou demais ou quem mostrou de menos, é o desejo do outro. E vou além, não é o desejo dele, é o que ele faz com o desejo dele".

Liberdade

E a mulher tem todo direito de bater no peito: 'eu sou uma mulher, eu tenho direito ao meu corpo, de usar meu corpo da maneira que eu quiser, de estar na rua de short, mas ser respeitada de short ou semRita Cadillac

- Sheila Mello

"Isso não me enfraquece em nenhum momento, não me sinto vítima por ser olhada com admiração. Eu tenho problema de um homem achar que tem direito no meu corpo".

Ficha técnica

Edição, produção técnica: Malabar Filmes

Reportagem, produção e coordenação: Amanda Serra e Bárbara Saryne