Holanda e Alemanha mantêm posição desfavorável a 'coronabônus'

Ministro holandês das Finanças, Wopke Hoekstra, em videoconferência com seus colegas europeus, em 7 de abril de 2020

O ministro holandês das Finanças, Wopke Hoekstra, considerou nesta quarta-feira (8) que os "coronabônus", um instrumento de dívida coletiva, provocariam mais problemas do que soluções para alavancar a economia no longo prazo, depois que a crise do coronavírus passar.

"A Holanda era e é contra a ideia dos eurobônus [ou coronabônus]. Achamos que criará mais problemas do que soluções para a União Europeia", tuitou Hoekstra.

Sua mensagem foi publicada depois do fracasso dos ministros europeus das Finanças de conseguirem chegar a um acordo e dar uma resposta econômica comum para a crise atual, após uma noite de negociações.

O ministro holandês reiterou a posição de seu país sobre o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE).

"O MEDE é o credor, ao qual se deve recorrer em último lugar, quando os países estão em grandes dificuldades financeiras. Na nossa opinião, seu uso deve estar associado a certas condições", acrescentou.

Os países mais afetados pelo coronavírus - principalmente Itália e Espanha - continuam pedindo a criação de um instrumento de dívida compartilhada (os "coronabônus", ou "eurobônus") e apostam em recorrer ao MEDE sem condições.

A proposta consistiria em um fundo temporário de centenas de bilhões de euros ("3% do PIB europeu") para financiar os serviços públicos essenciais (saúde), os setores ameaçados (transporte, turismo) e novas tecnologias.

Nessa mesma linha, a Alemanha reforçou hoje sua recusa à mutualização das dívidas na Europa.

A reativação da economia europeia é possível "com ferramentas muito clássicas" e já existentes como, "por exemplo, o orçamento da União Europeia", afirmou o ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz.

"Basta se concentrar nestas ferramentas", disse Scholz à imprensa, em resposta ao pedido dos países do sul para que se use os "coronabônus".

Scholz disse, porém, estar "otimista" em relação às possibilidades de alcançar rapidamente um acordo unânime entre todos os países da zona euro para responder ao impacto econômico da pandemia. A Europa está sendo atingida em cheio pelo coronavírus.

A mutualização da dívida é um limite que países como Alemanha e Holanda não desejam cruzar. Não querem se comprometer com um empréstimo comum aos países muito endividados do sul, os quais acusam de certa leniência em sua gestão da crise.

O fracasso da reunião de ministros das Finanças dos países da eurozona reflete, mais uma vez, as divisões no continente para se chegar a uma resposta conjunta. Uma cúpula de chefes de Estado e de governo realizada em 26 de março também não teve resultado.