Homem é indenizado em R$ 242 milhões após passar 20 anos preso injustamente nos EUA; vídeo

Um homem do estado de Ohio, nos EUA, ganhou mais de R$ 242 milhões em uma ação contra um departamento de polícia e um ex-detetive que o condenaram injustamente em mais de 20 anos de prisão. Eles ocultaram evidências e adulteraram identificações de testemunhas oculares na acusação de estupro e sequestro feita em 1991 contra Dean Gillispie. O veredito foi divulgado nesta segunda-feira.

Gillispie foi condenado naquele mesmo ano e só foi libertado em 2011. Veja abaixo o vídeo do momento em que ele descobriu que sua condenação foi anulada.

Para o advogado de Gillispie, David Owens, a indenização de mais de R$ 242 milhões estabelece um recorde em Ohio. Ainda não se sabe se o departamento de polícia de Miami ou o ex-detetive Scott Moore tentarão recorrer do caso e impedir o pagamento a Gillispie.

“É difícil entender o horror que Dean, sua família e sua comunidade sofreram”, disse Mark Godsey, diretor do projeto Ohio Innocence, que trabalha com a defesa de pessoas presas injustamente no estado. "A maneira como as autoridades forçaram uma condenação e depois se recusaram a admitir um erro foi tão decepcionante. Nada pode compensar Dean pelo horror."

"O veredito do juri envia uma forte mensagem de que aqueles que estão no poder precisam mudar a maneira como fazem as coisas", acrescentou.

Gillispie foi condenado pelo estupro e sequestro de duas irmãs gêmeas em um ataque e de uma terceira mulher em outra ocasião. O que o juri concluiu, nesta semana, foi que Moore violou os direitos de Gillispie ao ocultar evidências que teriam ajudado a sua defesa e ao criar “procedimentos injustos” para as vítimas.

O ex-detetive alegou que uma testemunha fez uma identificação quando ela não o teria feito e, depois, disse às vítimas que elas poderiam não reconhecer Gillispie no tribunal porque ele havia “pintado o cabelo”.

Também foram apresentadas evidências de que Moore não divulgou os recibos da estadia de Gillispie em um acampamento, o que comprovava que ele estava em outro estado quando os crimes ocorreram, segundo seus advogados.