Papa Francisco rejeita "extremismo" em missa com minoria católica egípcia

Cairo, 29 abr (EFE).- O papa Francisco disse neste sábado em um estádio do Cairo, capital do Egito, diante de milhares de pessoas, em sua maioria fiéis da comunidade católica egípcia, que Deus rejeita o extremismo e o único que permite é o da "caridade".

O pontífice, em seu segundo e último dia de visita ao Egito, celebrou a missa organizada em um estádio, sob forte esquema de segurança para tentar evitar ataques de radicais islâmicos.

Próximo ao local da missa foi palco, em 2015, da morte de 20 pessoas que assistiam uma partida de futebol e que faleceram por conta da aglomeração no evento, embora várias ONG disseram que a polícia contribuiu com o desastre ao lançar gases lacrimogêneos.

"Deus só gosta da fé professada com a vida, porque o único extremismo que Ele permite aos crentes é o da caridade", disse o papa durante a homilia.

"Qualquer outro extremismo não vem de Deus", disse Francisco, diante de uma platéia para quem ele pediu que não tenha "medo de amar a todos, amigos e inimigos, pois o amor é a força e o tesouro do crente".

As palavras do papa foram ouvidas quando se completam exatamente 20 dias dos ataques terroristas contra igrejas coptas no norte do Egito, onde 46 pessoas morreram e no dia seguinte líderes religiosos, em sua maioria muçulmanos, pediram o fim da violência.

Antes do início da missa, o pontífice saudou o público, quando estava em um carro de golfe que deu a volta no estádio, que segundo informações da agência oficial egípcia "Mena", tinha cerca de 25 mil fiéis assistindo a celebração.

No veículo, Francisco estava acompanhado do Patriarca Católico Copta, Ibrahim Isaac Sedrak.

"A verdadeira fé é a que nos torna mais caridosos, mais misericordiosos, mais honestos e mais humanos. É a que anima os corações que nos leva a amar todos gratuitamente, sem distinção e sem preferências", afirmou Francisco.

A missa é o principal evento do dia, dedicada especialmente para a comunidade católica no Egito, um grupo religioso de apenas 200 mil pessoas em um país onde a maior parte de seus quase 90 milhões de habitantes são muçulmanos.

O primeiro dia da visita do papa ao Egito foi dedicado principalmente na realização de encontros com líderes religiosos muçulmanos e da comunidade copta ortodoxa, além de ter participado de uma conferência internacional da paz. EFE