Homem acusado de tentativa de feminicídio já tinha agredido mãe, avó e padrasto da vítima

Selvageria. Foi assim que o delegado responsável pelas investigações classificou a tentativa de feminicídio sofrida por Nathália Maria da Silva, de 29 anos, na tarde de quarta-feira, em Brás de Pina. Joilson do Carmo Tavares, de 34 anos, teve o mandado de prisão decretado pela Justiça por agredir, esfaquear e balear a ex-mulher na frente do filho de apenas 5 anos, que sofre de autismo, dentro de um carro. Após agredir brutalmente Nathália e deixar a vítima quase sem vida em via pública, o agressor fugiu levando a criança, que graças aos avós, agora está em segurança.

A família de Nathália prestou depoimento à Polícia Civil. Familiares relataram que as agressões de Joilson à vítima eram constantes. Segundo uma das irmãs, Laís Maria da Silva, mesmo depois da separação o ex-cunhado continuava com as ameaças. No dia 28 de maio, segundo Laís, ele invadiu a casa da avó delas, agrediu Nathália e bateu na avó, Eliane Maria da Silva, de 65 anos.

— Ele já agrediu quase todo mundo da família. Minha mãe, meu padrasto, minha avó. Minha irmã não podia discordar de nada dele que começavam as agressões. Qualquer coisa ele se estressava. E a gente tentava entrar no meio, porque a gente é família né? A gente não vai ver alguém fazendo mal a um familiar nosso e ficar parado, sem fazer nada — contou Laís Maria da Silva, irmã da vítima.

De acordo com a família, após a última agressão no dia 28, Nathalia foi até a delegacia da Pavuna (39DP) para registrar a ocorrência e entrar com um pedido de medida protetiva. Na ocasião, porém, ela não conseguiu fazer o registro pois foi informada de que precisaria saber o endereço do agressor. Ela não tinha essa informação. Nathália ainda tentou procurar a DEAM, em São João de Meriti, mas não conseguiu entrar com o pedido da medida protetiva.

— Se ela tivesse conseguido fazer o registro há 15 dias atrás, talvez agora a gente não tivesse passando por essa situação — enfatizou Laís.

Nathalia Maria da Silva sofreu graves lesões na cabeça, na face e no tórax, causadas pelos socos e vários golpes de faca dados pelo agressor. A vítima teve que passar por cirurgia devido a um comprometimento do fígado, que causou hemorragia. Após passar por exames, a bala do tiro disparado por Joilson foi encontrada na região das costelas de Nathália, que neste momento segue internada em estado grave no CTI do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo.

A Polícia Civil ouviu a vítima, que mesmo debilitada conseguiu confirmar que o crime foi cometido pelo ex-marido, com quem ela foi casada por sete anos. De acordo com Nathália, eles estavam separados há um ano, justamente pelas frequentes brigas e agressões verbais e físicas cometidas contra ela por Joilson. A jovem contou para a polícia que o agressor ficou inconformado quando ela se envolveu em um outro relacionamento e passou a ameaçá-la de forma recorrente.

Nathália descreveu para os investigadores que na última quarta-feira foi levar o filho de cinco anos a uma consulta médica. Na volta, os dois foram abordados por Joilson e entraram no carro dele, da marca VW Santana. Ela e o pai da criança estavam no banco da frente e o filho no banco de trás, quando começou uma discussão e Joilson passou a agredi-la com socos, depois facadas e no final o autor das agressões ainda deu um tiro na vítima, com a pistola que costuma carregar com ele.

Após ser obrigado a presenciar tamanha brutalidade e ser levado pelo agressor, o filho de Nathália, de apenas cinco anos, que tem transtorno do espectro do autismo (TEA), foi entregue na delegacia pela avó paterna. Com a mãe internada em estado grave, a criança agora está sob os cuidados da avó materna em Campo Grande.

— Ele está bem, mas muito nervoso. Não para de chamar pela mãe e pelos irmãos — afirmou Laís Maria da Silva, irmã de Nathália.

Além do menino de cinco anos, Nathália tem mais dois filhos do primeiro relacionamento: um menino de 11 anos e uma menina de 10. Os dois perderam o pai logo depois que nasceram e estão muito abalados com a internação da mãe. A família da vítima espera que Joilson seja preso o quanto antes, para voltarem a viver em paz.

— Eu criei a Nathália com muito amor e estou revoltada. Eu peço a vocês que não abandonem esse caso. Eu quero que esse monstro responda por todos os crimes que ele cometeu contra ela. Nem bandido faz o que ele fez. A justiça precisa ser feita — disse Eliane Maria da Silva, de 65 anos.

O mandado de prisão temporária de Joilson foi decretado pela Justiça nesta sexta-feira, a pedido do delegado Flávio Ferreira Rodrigues, titular da 33ª DP (Realengo). Segundo o delegado, a prisão de Joilson é necessária para a finalização do inquérito, com a coleta formal do depoimento da própria vítima, que segue internada, e principalmente pelo risco que o suspeito representa para a vida da vítima e dos familiares dela.

Em nota, a Polícia Civil informa que vai apurar a denúncia sobre o pedido de medida protetiva de Nathália, já que o relato não condiz com a metodologia de atendimento das delegacias e a orientação de que todas as ocorrências sejam registradas.

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