'Homem-aranha' do crime invade apartamento no Grajaú; vítima já teve cinco carros roubados

O engenheiro José Roberto Moura da Silva, de 63 anos, já havia sentido na pele diversas vezes os reflexos da violência nas ruas. Ele teve cinco carros roubados. Só não esperava que fosse ser vítima da insegurança na cidade dentro de casa. Pois foi o que aconteceu na madrugada de quinta-feira. Ele dormia com a esposa e nos quartos ao lado estavam o filho, a nora e a sogra. Só pela manhã, a família percebeu que havia sido a mais nova vítima do "homem-aranha", do crime, ladrão que invade os apartamentos pelas varandas e janelas, levando com eles os pertences dos moradores e tem atacado na região.

Ataques na Zona Norte: 'Homem-Aranha' do crime volta a atacar e deixa pertences para trás após assalto

'Homem-aranha' do crime: ladrão escala prédios da Zona Norte para furtar apartamentos

— Acho que sou azarado. Já tive cinco carros roubados em toda minha vida. Mas é a primeira vez que acontece dentro de casa. Já tinha sentido essa impotência quando apontaram uma arma para mim. Dentro de casa, dormindo, nunca ia imaginar um ladrão na minha sala. Não é normal isso. Foi uma situação horrível — descreveu o morador, acrescentando que ele e a mulher tiveram dificuldade de dormir na noite seguinte.

A invasão ao apartamento, que fica no sexto andar de um prédio na Rua Marechal Jofre, ocorreu entre 1h e 4h, quando todos estavam dormindo. Nem mesmo o cão da família percebeu a movimentação do bandido. Inicialmente, a nora de José Roberto deu por falta de uma bolsa com pertences pessoais. Depois de muito procurar, perceberam que também estavam faltando dois notebooks e duas mochilas, uma delas com acessórios de fotografia. O engenheiro estima que o prejuízo financeiro deve ter sido em torno de R$ 20 mil.

Vítima no volante: Filho de motorista de aplicativo soube pela internet como pai morreu e disse que quer ser policial para combater violência

Ele crê que o bandido tenha entrado pelo playground do prédio, acessando seu apartamento pela porta da varanda, que estava aberta. O engenheiro contou que o prédio tem sistema de câmeras de segurança, mas é antigo e com a definição muito ruim. Além disso, é mal distribuído, não pegando a parte por onde ele acredita que o ladrão entrou. José Roberto falou que já conversou com o síndico e estão avaliando melhorar o esquema de segurança do prédio, a começar pela troca das câmeras. Para ajudar na identificação do invasor, ele pretende requisitar na segunda-feira as imagens do prédio em frente.

—Já fizemos algumas ações no condomínio para bloquear o caminha por onde ele (o ladrão) passou. Colocamos aquelas cercas parecendo uma espiral como se fosse arame farpado. Do lado do outro prédio já existe uma cerca elétrica. A gente não acha que ele entrou por ali. A gente imagina que tenha escalado o prédio ao lado e entrado pelo playground do nosso. A gente isolou aquela parte. De resto, está trabalhando para melhorar o sistema de câmeras, talvez contrate uma empresa de seguro criar um projeto de proteção. A gfente estava se sentido seguro, porque o prédio tem porteiro 24h e achava que nunca ia correr esse risco — disse o morador que está no mesmo prédio desde 2006.

O engenheiro contou que procurou a polícia pela manhã para registrar a ocorrência e que policiais compareceram ao local, pela manhã, para fazer a perícia do apartamento. Os agentes teriam dito para ele que não encontraram digitais do bandido.

Importunação no consultório: 'É absurdo que um médico faça isso com uma paciente', diz marido de vítima que acusa cirurgião de assédio

O engenheiro contou que comprou outro apartamento no Recreio e planeja se mudar para lá com a família, assim que concluir algumas reformas. Porém, garante que o episódio dessa semana não vai acelerar a mudança. Na verdade, ele não tem pressa de sair do Grajaú, por uma questão de logística, já que trabalha no Centro, a 20 minutos de carro do atual endereço.

Casos como esse não são isolados. No começo do mês, após diversos prédios serem alvos do “homem-aranha” do crime, na região, síndicos de condomínios de Vila Isabel, Tijuca, Grajaú, Maracanã e Andaraí orientaram moradores a fecharem as portas das varandas para que o ladrão não consiga entrar nos apartamentos após escalar os edifícios.

Ainda não identificado, o ladrão teria invadido ao menos 20 residências nos últimos três meses. Na 20ª DP (Vila Isabel), delegacia da área, seis casos foram registrados até o começo de outubro. Um dos furtos aconteceu na Rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel. Dois apartamentos foram invadidos e foram furtados relógios, joias, computadores e outros pertences.

A Polícia Militar informou que entre os meses de janeiro e setembro de 2022, o 6ºBPM (Tijuca) efetuou 330 prisões na área de policiamento da unidade. Informou ainda que as ações ostensivas do batalhão, como rondas e abordagens, contam com reforço do Batalhão de Polícia de Choque e do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (RECOM).

Leitura na praia: Família cria sebo sobre rodas para vender livros na Zona Sul do Rio

Em relação aos furtos, alega que que as medidas para reduzir a incidência não podem se limitar ao policiamento ostensivo em vias urbanas. Segundo a PM, a legislação penal vigente tem favorecido a reincidência desses crimes. A título de ilustração, cita que durante o ano de 2021, os policiais militares efetuaram 170 prisões de pessoas envolvidas em furto, sendo que 90% dos detidos retornaram às ruas dias depois após as audiências de custódia.

A PM mostra ainda que os dados estatísticos do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que houve redução de aproximadamente 34% no indicador roubo a residência quando comparados os períodos de janeiro-setembro de 2022 e janeiro-setembro de 2021 na área de policiamento do 6ºBPM. Na comparação entre setembro de 2022 e setembro de 2021, o indicador estratégico de roubo de veículo teve queda de 19%, diz a nota.