Homem ateia fogo ao corpo em protesto perto do gabinete do primeiro-ministro do Japão

Um homem ateou fogo ao corpo nesta quarta-feira (21) perto do gabinete do primeiro-ministro do Japão em Tóquio depois de criticar a organização de um funeral de Estado para o ex-chefe de Governo Shinzo Abe.

A polícia não confirmou o incidente, mas um porta-voz do governo afirmou que um homem com queimaduras foi encontrado perto do escritório do primeiro-ministro Fumio Kishida.

"Fomos informados que um homem com queimaduras foi encontrado por um policial às 7h00 (noite de terça-feira no Brasil) no cruzamento abaixo do gabinete", disse o porta-voz Hirokazu Matsuno.

"Mas os detalhes estão sob investigação da polícia", acrescentou, sem responder mais perguntas sobre o caso.

A imprensa japonesa informou que o homem, agora hospitalizado, expressou críticas ao funeral de Estado programado para 27 de setembro em homenagem ao ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado em julho.

A agência de notícias Jiji informou que bilhetes encontrados no local do protesto mostram que o homem era "veementemente contrário" à cerimônia fúnebre para Abe.

O manifestante tem por volta de 70 anos e afirmou à polícia que espalhou gasolina no corpo e ateou fogo, segundo a agência.

O canal de televisão Asahi também mencionou o repúdio do homem ao funeral de Estado e informou que um policial ficou ferido ao tentar apagar as chamas.

- Um funeral controverso -

Abe, o primeiro-ministro mais longevo do Japão, foi assassinado a tiros em 8 de julho durante um comício na cidade de Nara, oeste.

A decisão de organizar um funeral de Estado, no entanto, foi controversa, porque este é um tipo de homenagem incomum no Japão moderno: para um primeiro-ministro não acontece desde 1967.

As pesquisas indicam que metade da população é contrária ao evento.

Abe era o político mais famoso do Japão e continuava sendo uma figura pública de destaque mesmo depois de renunciar ao cargo de chefe de Governo em 2020 por motivos de saúde.

O homem que atirou e matou Abe, Tetsuya Yamagami, afirmou que cometeu o crime porque suspeitava que o ex-primeiro-ministro tinha vínculos com a Igreja da Unificação, uma seita que, segundo ele, arruinou a vida de sua mãe.

A igreja é acusada de pressionar os seguidores a fazer grandes doações, o que a seita nega.

Abe não era membro da igreja, mas teve relações com grupos vinculados à mesma. Sua morte provocou uma apuração sobre as ligações entre este grupo e a política japonesa.

Uma investigação do Partido Liberal Democrático, formação de Abe e Kishida, mostrou que metade de seus deputados tinha vínculos com a seita. O novo primeiro-ministro prometeu cortar as relações com o grupo.

O assassinato de Abe provocou grande comoção nacional e internacional.

A cerimônia acontecerá no ginásio Budokan, com um custo avaliado de 12 milhões de dólares e na presença de líderes mundiais, como a vice-presidente americana Kamala Harris e o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese.

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