Homem branco humilha motoboy negro com ofensas racistas e classistas: 'Você tem inveja'

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Foi nesse momento que o homem branco começou a apontar para as casas do condomínio e para o próprio braço. “Você tem inveja disso daqui, das famílias daqui, você tem inveja disso aqui” (Foto: Facebook/ Reprodução)
Foi nesse momento que o homem branco começou a apontar para as casas do condomínio e para o próprio braço. “Você tem inveja disso daqui, das famílias daqui, você tem inveja disso aqui” (Foto: Facebook/ Reprodução)

Um motoboy negro, que se identifica como Matheus, foi hostilizado por um homem branco com ofensas racistas e classistas, enquanto realizava uma entrega em um condomínio de classe média em Valinhos, no interior de São Paulo.

O caso ocorreu no dia 31 de julho, no entanto, o vídeo do momento do ataque passou a circular nas redes sociais nesta quinta-feira (6). “Você trabalha de motoboy! Quanto você tira por mês? R$ 2 mil, R$ 3 mil? Você não tem onde morar, moleque”, disse o morador do condomínio para o entregador.

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O motoboy, por sua vez, tenta se defender indagando que o homem não faz ideia do quanto ele fatura por semana como entregador de aplicativos. “Só porque você mora dentro de um condomínio? Tem vida lá fora também”.

Foi nesse momento que o homem branco começou a apontar para as casas do condomínio e para o próprio braço. “Você tem inveja disso daqui, das famílias daqui, você tem inveja disso aqui”, afirmou, evidenciando sua cor.

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Além disso, o morador disse que “nada vai acontecer”. “Aqui não vai acontecer nada, com esse funcionário não vai acontecer nada, já com você lá para frente eu não sei”, sugeriu ao lado de outro homem branco, que, pelo que as imagens indicam, é funcionário do local.

Não fica claro o que motivou a discussão. No entanto, pelas imagens é possível ouvir Matheus dizendo que acionou uma viatura da Polícia Militar. Na ocasião, segundo G1, a Guarda Municipal foi chamada e encaminhou todos para a Delegacia de Valinhos.

O caso acontece em meio a discussão na Câmara dos Deputados sobre o projeto de lei que dispõe sobre os direitos dos entregadores que prestam serviços a aplicativos de entrega durante o estado de calamidade pública decorrente da pandemia do novo coronavírus. A proposta aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados.

Nas redes sociais, o caso levantou um debate sobre racismo e classe social. “Eu não quero ficar rico, eu quero mudar o mundo!”, escreveu o líder dos entregadores de aplicativo antifascistas, Paulo Lima, conhecido como ‘galo’.

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A autônoma Maria Pires, que se identifica como mãe do entregador, afirmou em uma publicação nas redes sociais que o morador “humilhou um trabalhador, se achando melhor que ele por morar em um condomínio de luxo”.

“Esse entregador é meu filho, um trabalhador honesto e não precisa sentir ou ter inveja. Mesmo tendo dinheiro para comprar tudo o que quiser, jamais comprará a educação e o respeito”.

A reportagem entrou em contato com a mãe do entregador, responsável pela publicação do vídeo, para ter mais detalhes sobre o caso. Tentou também encontrar o autor dos ataques. No entanto, não teve respostas até a publicação.

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