Homem colocou crianças debaixo de camas para protegê-las de chacina em Mesquita

Flávio Trindade
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Quando os tiros começaram, o muro de uma casa parecia que ia cair. Várias balas atingiram a residência da Travessa Marina, em Mesquita. Na pequena via do bairro Jacutinga, três homens armados abriram fogo contra um bar, deixando cinco mortos e três feridos na madrugada de segunda-feira. Naquele momento, o dono da residência correu para o quarto dos filhos e os deitou no chão.

— Tenho quatro crianças em casa e fiquei em pânico. Era só rajada de arma pesada, parecia uma guerra. Meu instinto foi botar todo mundo debaixo das camas. Os vizinhos já tinham avisado que o bar daria problema. Todo fim de semana era uma bagunça. O problema é que, com isso, acabou morrendo gente inocente.

A segunda-feira amanheceu com as calçadas da travessa ainda manchadas de sangue e com portas e janelas fechadas pelo medo dos moradores. Foram mortos Edvaldo Ferreira da Silva, de 58 anos; Vinícius Douglas das Chagas Braga, de 29; Bruna Silva Martins, de 35; e duas pessoas não identificadas até a noite de ontem. Já os feridos são o militar reformado do Exército João Carlos Teixeira Neto, atingido na perna direita; Stephanie da Silva Lemos, de 32 anos, baleada na mão direita; e Luciano dos Santos, de 50, que levou um tiro de raspão na cabeça.

João Carlos e Stephanie, internados no Hospital Geral de Nova Iguaçu, também na Baixada Fluminense, foram submetidos a cirurgias e, à tarde, apresentavam quadro clínico estável. Luciano foi atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Edson Passos e já recebeu alta.

Pela manhã, agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense estiveram no bar e realizaram uma perícia antes do recolhimento dos corpos. Em nota, a Polícia Militar informou que foi acionada por volta das 3h. Quando equipes do 20º BPM (Mesquita) chegaram à Travessa Marina, os responsáveis pela chacina já tinham fugido.

A área é dominada por uma milícia e, segundo moradores, o crime foi uma represália ao fato de o bar estar funcionando com música alta durante a madrugada. Na hora do ataque, cerca de 40 pessoas se divertiam no estabelecimento. Todas foram surpreendidas pelos três homens que desembarcaram de um carro e abriram fogo.

De acordo com moradores da região, nenhuma das vítimas tinha relação com a milícia ou o tráfico de drogas.