Homem disse ter sido contratado para simular ataque a Guaidó na Venezuela

Líder opositor venezuelano, Juan Guaidó, durante discurso na Plaza Bolívar em Caracas, em 11 de fevereiro de 2020

Um homem detido disse ter sido contratado pela oposição para simular um ataque contra uma manifestação liderada no sábado pelo líder opositor Juan Guaidó na cidade de Barquisimeto, segundo um vídeo divulgado nesta quinta-feira pelo governo de Nicolás Maduro.

"Ele foi contratado por personagens do entorno de Juan Guaidó para empunhar um revólver e a foto pode ser tirada para construir o falso positivo (montagem)", disse o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez.

A equipe de imprensa de Guaidó divulgou uma foto que mostra uma pessoa em roupas escuras e capacete apontando uma arma supostamente contra o líder da oposição na cidade de Barquisimeto, estado de Lara (oeste).

O homem foi identificado como Climaco Erik Medina e, segundo Rodriguez, possui antecedentes criminais por tráfico de drogas, roubo e posse ilegal de armas.

No vídeo mostrado pelo ministro, Medina diz que recebeu um revólver e US$ 200 para "amedrontar" os manifestantes.

"Saquei a arma, apontei para as pessoas, as pessoas começaram a gritar, a correr aqui e ali, continuei andando, apontei para Guaidó, eles começaram a tirar fotos e fui embora", acrescentou Medina.

Guaidó, reconhecido como presidente encarregado da Venezuela por mais de 50 países, disse que sua vida estava em perigo.

"A ditadura poderia ter me matado, poderia ter me matado hoje, sem dúvida", disse ele.

Seus parentes disseram que foi uma tentativa de assassinato.

A manifestação contou com a presença de cerca de 2.000 pessoas e detonações foram ouvidas, segundo uma equipe da AFP.

O incidente foi condenado pelos Estados Unidos, pela OEA e pela União Europeia, que estão entre os países e instituições que reconhecem Guaidó como presidente encarregado da Venezuela por considerar que Maduro foi reeleito em eleições fraudulentas.

O governo de Maduro diz que o incidente deve fortalecer Guaidó, que convocou uma manifestação em Caracas em 10 de março.