Homem fica preso em supermercado e teme ser confundido com ladrão: ‘Já tenho a pele mais escura, né?’

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Carlos ficou 3 horas preso no local e só foi resgatado após denúncia de jornal. Foto: Reprodução/Jornal Correio
Carlos ficou 3 horas preso no local e só foi resgatado após denúncia de jornal. Foto: Reprodução/Jornal Correio
  • Caso aconteceu em Salvador

  • Cliente ficou preso após fazer compra grande no estabelecimento

  • PM foi acionada mas disse que não poderia fazer nada

Um homem ficou 3 horas preso no estacionamento de um supermercado da rede Maxxi em Salvador, na madrugada de quarta para quinta-feira (2). Carlos Santana conseguiu sair do local por volta da 1h30, após um supervisor do local ser acionado. Enquanto esperava, Carlos passou por momentos de angústia e medo de ser confundido com um ladrão: "Já tenho a pele mais escura, né?”. As informações são do jornal local Correio.

Carlos acabou trancado no estacionamento acidentalmente depois de terminar de fazer compras. Enquanto esperava, tentou chamar a Polícia Militar, sem sucesso. Depois, dois amigos chamaram a viatura, que até passou pelo local, mas os agentes disseram que não poderiam fazer nada.

"A PM foi dar apoio a dois amigos meus, para ver se conseguia resolver. Falaram que ia ver se mandava viatura (quando liguei), não mandou. A viatura que parou foi porque um casal de amigos meus parou na rua. Se fosse caso de roubo, num instante teria como entrar e me tirar lá de dentro. Como não era roubo, disse que não tinha como", disse Carlos ao Correio.

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Na verdade, Carlos só foi liberado após o jornal noticiar que ele estava preso no local e a história propagar na cidade. "Depois das postagens, a supervisora, alguma superiora lá de São Paulo, entrou em contato com o encarregado daqui da Bahia para alguém ir lá me tirar", conta Carlos.

Um funcionário do mercado chegou na madrugada, de bermuda e chinelo de dedo, para 'resgatar' Carlos.

Para Carlos, essa foi uma das situações mais angustiantes que ele já viveu, principalmente pelo medo de ser confundido com um ladrão. "Já tenho a pele mais escura, né? Eu rodando dentro daquele supermercado, porque quando eu desci as luzes estavam acesas. Ai pensei: daqui a pouco aciona o alarme aqui, daqui que eu explique que sou cliente, eles acreditarem, já tomei um tiro. Aí veio medo", relata.

Mesmo com medo, ele avaliou que a melhor forma de chamar atenção seria acionar o alarme do estacionamento, mas nem isso funcionou. "Pensei: 'Eles vão chegar, vou levantar os braços, mostrar logo a nota fiscal para provar que não era ladrão'. Acionei o alarme umas cinco vezes", diz. "Foi muito medo e constrangimento".

Além do trauma, Carlos mostra os prejuízos financeiros: "Algumas mercadorias descongelaram total", lamenta.

O Maxxi Atacado emitiu uma nota na qual lamentou o ocorrido e diz que a situação não condiz com seus procedimentos internos. "O Maxxi Atacado esclarece que irá reforçar seu sistema e o efetivo de segurança da unidade Bonocô".

Carlos explicou que ficou até tarde no local, porque estava fazendo uma compra grande, o que demorou muito tempo. Ele chegou ao local por volta das 19h30 e gastou quase R$ 1,8 mil.

Segundo ele, a compra foi registrada às 21h33, mas ele demorou para guardar tudo. “Como o saco lá é comprado, eu pego as caixas que eles deixam lá. Só que estavam muito danificadas. Eu já levo uma fita adesiva para ir lacrando as caixas", conta.

A unidade fecha às 21h, mas permite que os clientes que estão dentro concluam as compras, podendo ficar um pouco mais no local. "Quando o cliente está lá dentro eles aguardam. Eles falam que está chegando a hora de fechar, eles falam para adiantar. Foi o que fiz. 21h eu tava na fila do caixa. Eu saí 21h33. Peguei a mercadoria e fui botando no carro", diz. Quando foi sair, encontrou os portões fechados.

"Foi um momento horrível, que eu só pensava o pior. Até para fazer xixi tive que pegar duas garrafinhas de água, esvaziar e usar. começou a dar vontade de ir ao banheiro. Recolhi o carro, botei uma vaga, deitei o carro e fiquei lá", conta.

Depois, ele contatou dois amigos, que foram ao seu resgate e conseguiram que o supervisor fosse ao local abrir o portão. Do funcionário do estabelecimento, Carlos ouviu apenas: "me desculpe".

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