Homem interrogado no AM em caso de desaparecidos é preso por porte ilegal de munição

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar do Amazonas prendeu na terça-feira (8) um homem que foi ouvido nas investigações sobre o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. A prisão, no entanto, não tem relação direta com o caso.

O homem, conhecido como Pelado, foi preso em flagrante por "posse de munição de uso restrito e permitido", segundo confirmou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas --com ele, foram apreendidos chumbinhos e também balas de fuzil.

O delegado da Polícia Civil do caso, Alex Perez, disse que a sua ligação com o desaparecimento de Pereira e Phillips ainda está em apuração.

Pelado, que atende pelo nome de Amarildo, foi encontrado na terça pela PM e é uma das cinco pessoas que até agora foram ouvidas nas operações de busca da dupla, que desapareceu no último domingo (5).

Segundo o governo do Amazonas, até agora, quatro pessoas foram ouvidas como testemunhas e uma, na condição de suspeito. Pessoas ligadas às investigações dizem que ele é quem foi interrogado como suspeito, mas essa informação não foi confirmada oficialmente pela secretaria de segurança pública do estado.

Segundo Eliésio Marubo, advogado da Univaja (União dos Povos Indígenas do Javari), pelado "fez algumas ameaças contra a equipe" da entidade no último final de semana. O grupo era acompanhado por Pereira e Phillips.

Dias antes da viagem, Marubo, Pereira e outros membros da Univaja haviam recebido uma carta com ameaças de morte.

Dentre as outras pessoas ouvidas pela polícia até agora, estão os também pescadores Jâneo e Churrasco --ambos foram liberados na noite da última segunda-feira (6), após o depoimento.

Churrasco, inclusive, é quem Pereira e Phillips iriam encontrar na manhã de domingo, quando retornavam de uma viagem. Eles chegaram a passar pela comunidade de São Rafael, mas não o encontraram.

Então, seguiram viagem no retorno para a cidade de Atalaia do Norte, mas no meio do caminho, desapareceram.

A secretaria de segurança diz que "está tomando todas as medidas cabíveis para auxiliar na elucidação do caso, em colaboração ao Ministério Público Federal, Polícia Federal e Funai [Fundação Nacional do Índio]".

O subcomandante da Polícia Militar do Amazonas, coronel Agenor Teixeira Filho, afirmou que duas pessoas chegaram a ser detidas para averiguação nesta terça-feira (7), por terem desavenças anteriores com Bruno Pereira. No entanto, elas não foram presas, e a secretaria não confirma oficialmente se tratarem de suspeitos do desaparecimento.

O subcomandante disse que elas estavam custodiadas pela Polícia Federal no município de Tabatinga para serem ouvidas. "Tudo está sendo investigado para que a gente possa ter mais informações e entender o que ocorreu com os dois", afirmou.

Nesta quarta-feira (8), já foram retomadas as buscas por Pereira e Phillips. Entre os envolvidos, estão Funai, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Exército, Marinha e Força Nacional, além da Univaja.

Servidor de carreira da Funai (Fundação Nacional do Índio) desde 2010, Pereira pediu licença depois de ter sido exonerado da Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém-Contatados, na qual esteve por 14 meses.

Ele foi dispensado do cargo em outubro de 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), e desde então passou a trabalhar na Univaja.

Antes, fez carreira no Vale do Javari e chegou a ser coordenador regional de Altamira do Norte. Ele acompanhava Dom Phillips, que realizava registros jornalísticos sobre o local e a atuação da instituição.

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