Homem mata pessoa a facadas antes de ser morto perto de Paris

Por Daphné ROUSSEAU, Anne LEC'HVIEN et Sylvie MALIGORNE
O ataque aconteceu em um parque ao sul de Paris

Um homem armado com uma faca matou uma pessoa e feriu outras duas, uma delas gravemente, em um parque na cidade francesa de Villejuif, arredores de Paris, antes de ser morto por agentes da polícia francesa.

O ataque ocorreu por volta das 14h (10h no horário de Brasília) no parque Hautes-Bruyères, nesta cidade localizada ao sul de Paris.

Por razões desconhecidas, o homem atacou os pedestres, matou um homem e feriu outras duas pessoas - um homem em estado grave e uma mulher com ferimentos leves -, segundo as autoridades.

Ele também tentou "atacar outras vítimas que conseguiram evitá-lo", disse o promotor Laure Beccuau em entrevista coletiva.

Segundo o prefeito de Villejuif, Franck Le Bohellec, o homem morto é um morador local de 56 anos. "Ele estava passeando com sua esposa quando o atacante se aproximou. Ele quis proteger sua esposa e foi ele quem levou a facada", disse à AFP.

O agressor tentou fugir depois do ataque e morreu ao ser atingido por disparos de policiais na localidade vizinha de Haÿ-les-Roses, indicaram as fontes.

"Ouvimos gritos, depois três tiros. Saí pra ver o que estava acontecendo. Aí teve cinco ou seis tiros e sirenes. Nos escondemos na garadem", contou à AFP Rouane Yazid, de 40 anos, dono de um estabelecimento.

Uma foto tirada do local onde o agressor foi morto e enviada à AFP mostra-o deitado de costas em uma rotatória, vestido com o que parece ser um traje tradicional preto do tipo jelaba.

- 'Transtornos psicológicos' -

Segundo fontes ligadas ao caso, o agressor, identificado como Nathan C. e nascido em Lilas (Sena-San Denis), sofria de "distúrbios psicológicos" e não era conhecido por radicalização.

No entanto, "elementos relacionados à religião" foram encontrados em seus pertences, segundo várias fontes ligadas ao caso.

Uma investigação por "assassinato e tentativa de assassinato" foi aberta.

O secretário de Estado para o Interior Laurent Nuñez, esteve no local e explicou que a ação dos policiais impediu "a continuação do que era uma aventura assassina".

Ele "fugiu para o shopping center de L'Haÿ-les-Roses, onde aparentemente pretendia continuar seu ataque", disse o prefeito de Haÿ-les-Roses, Vincent Jeanbrun, ao canal BFMTV.

"Felizmente, a polícia foi rapidamente alertada e conseguiu chegar rapidamente ao local e neutralizá-lo, matando-o", acrescentou.

O presidente da França, Emmanuel Macron, expressou seu "apoio às vítimas (...), suas famílias e agentes da lei". "Continuamos com determinação a luta contra a violência cega (indiscriminada)", escreveu ele no Twitter.

- Ameaça constante -

A França vive sob a ameaça constante de atentados, e este último acontece alguns dias antes do aniversário dos ataques jihadistas contra a revista satírica Charlie Hebdo e a um supermercado kosher em 7 e 9 de janeiro de 2015.

Em 2019, a justiça antiterrorista processou três casos de ataques: um ataque com faca, em março, a dois guardas penitenciários da prisão de Condé-sur-Sarthe (noroeste da França) por um detento radicalizado, Michaël Chiolo, um ataque a bomba em frente a uma padaria em Lyon (centro-leste) em maio, que feriu 14 pessoas, e um ataque na sede da polícia de Paris em 3 de outubro.

Neste último ataque, a investigação ainda não conseguiu determinar oficialmente as motivações de Mickaël Harpon, um agente suspeito de radicalização, que esfaqueou quatro de seus colegas antes de ser abatido.

Se essas quatro vítimas forem incluídas, a onda de ataques na França deixou 255 mortos desde o início de 2015.

No total, 60 ataques foram frustrados desde 2013, incluindo o último no final de setembro, segundo o Ministério do Interior.

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