Homem negro é mantido algemado e torturado em supermercado por suspeita de furto no MA; vídeo

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RIO — Um homem negro de 35 anos foi mantido algemado, em cárcere privado e submetido a tortura em um supermercado na cidade de Santa Inês, situado a 247 quilômetros de São Luís, no Maranhão. A vítima foi detida dentro do almoxarifado do estabelecimento por suspeita de ter furtado produtos alimentícios. O caso ocorreu neste domingo e resultou na prisão de quatro funcionários da empresa, mas todos já foram soltos pela Justiça.

A vítima chegou à uma unidade do supermercado Mateus por volta das 8h. Imagens das câmeras de segurança registraram o momento em que o homem passa pelo caixa, paga e tenta sair da loja. Ele havia comprado dois pacotes de sobrecoxa de frango, que totalizaram R$ 28.

No entanto, a vítima foi barrada por um segurança. Os funcionários do supermercado suspeitavam que o homem havia tentado subtrair diversos produtos, como carne, linguiça toscana e pão, que totalizavam entre R$ 100 a R$ 150.

O homem foi conduzido pelos seguranças para uma área administrativa do supermercado e foi revistado pelos funcionários. Depois, os trabalhadores da empresa levam a vítima para o almoxarifado, nos fundos do estabelecimento, onde o cliente ficou algemado e em pé até às 14h, quando foi liberado. Durante esse período, um dos vigias permaneceu no local com uma arma de fogo e teria ameaçado atirar caso o homem não confessasse que havia furtado alimentos.

— A vítima informou ter sido acusado de furto, ameaçado com arma de fogo, algemado e mantido fixado em uma barra de ferro e em pé das 8h às 14h. Nós entendemos que ainda era flagrante delito e fomos ao supermercado. No local, a vítima apontou os envolvidos, encontramos a algema que foi reconhecida como a usada, fomos ao almoxarifado onde havia estrutura metálica que a vítima permaneceu algemada — disse o delegado Allan Santos, de Santa Inês.

No chão do almoxarifado também havia um fio de energia cortado e outro de nylon usados para amarrar algema na estrutura metálica. Os materiais foram apreendidos e considerados como indícios de que o homem foi mantido algemado no supermercado.

De acordo com o delegado, o exame de corpo de delito também constatou lesões no punho da vítima. Allan Santos explicou que o médico legista considerou que a contusão é condizente com o uso de algemas.

— Os funcionários e a vítima concordam que o homem ficou algemado, mas a equipe da empresa não soube explicar porque não acionou a polícia para prender o suspeito — disse o delegado.

Os trabalhadores do supermercado foram indiciados pelos crimes de cárcere privado e tortura. O Ministério Público Estadual chegou a se manifestar favorável à conversão do flagrante em prisão preventiva, mas o judiciário decidiu conceder liberdade provisória para os presos com o argumento de que eles têm bons antecedentes criminais.

A investigação sobre a suspeita de furto ainda não foi finalizada. Segundo o delegado, não houve flagrante por este crime devido o lapso de tempo entre o suposto fato e a denúncia.

Procurada pelo GLOBO, o Grupo Mateus não se manifestou até a publicação da reportagem.

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