Homem que alega em vídeo ter supostas provas de fraude não é ex-funcionário do TSE

Usuários compartilham um vídeo nas redes sobre fraude nas urnas e alegam que o autor do registro é supostamente um ex-funcionário do TSE (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)
Usuários compartilham um vídeo nas redes sobre fraude nas urnas e alegam que o autor do registro é supostamente um ex-funcionário do TSE (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)
  • Circula nas redes um vídeo de um homem afirmando ter provas de uma suposta fraude nas eleições

  • Usuários alegam que ele é um ex-funcionário do TSE

  • A informação, porém, é falsa. O homem não trabalhou na instituição

Um vídeo de um homem alegando ter provas de fraude nas eleições está sendo compartilhado nas redes sociais. Segundo usuários, ele é um ex-funcionário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que teria sido "dispensado" pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e ex-presidente do Alexandre de Moraes.

"Ex-funcionário do TSE, que o Ministro Alexandre de Moraes demitiu, faz declaração bombástica com provas, comprometendo as eleições de 2022", diz uma das legendas que acompanha o vídeo nas redes.

Mas é falso que o homem em questão tenha sido funcionário do TSE.

Captura de tela de um vídeo que circula como se tivesse sido filmado por um ex-funcionário do TSE (Fotos: Facebook / Reprodução)
Captura de tela de um vídeo que circula como se tivesse sido filmado por um ex-funcionário do TSE (Fotos: Facebook / Reprodução)

Algumas publicações confundem o homem que aparece no registro com Alexandre Gomes de Machado, servidor exonerado do TSE em outubro por "práticas de assédio moral, inclusive por motivação política", segundo a corte. Mas ao comparar imagens dos dois homens, é possível identificar que eles não são a mesma pessoa.

O vídeo viralizado nas redes traz um nome de usuário do Kwai. Ao buscar pelo perfil, a reportagem do Yahoo! Notícias encontrou o autor da gravação. Embora o vídeo não esteja mais disponível na rede, é evidente a correspondência entre o homem e o local vistos no vídeo viralizado com a da aparência do administrador do perfil e do local de algumas filmagens.

O homem em questão se identifica como "Eder A Lima" e afirma trabalhar na "empresa Alfred Prinzhofer". Em seu perfil não há qualquer referência a uma suposta passagem pelo TSE. Além disso, uma busca por menções ao nome do autor do vídeo no site do TSE em possível ato de nomeação ou exoneração não obteve qualquer resultado.

Após ser exonerado, Machado fez uma denúncia à PF (Polícia Federal) e afirmou ter alertado o Tribunal Eleitoral reiteradamente sobre supostas falhas de fiscalização das inserções da propaganda eleitoral. Em nota, a corte classificou as alegações como "falsas e criminosas".

Há indícios de fraude nas eleições?

É falso que qualquer fraude nas urnas tenha sido comprovada. Ao contrário, instituições que atuaram como observadores nas eleições brasileiras reforçaram a credibilidade do sistema.

Uma delas foi a Uniore (Missão da União Interamericana de Organismos Eleitorais), que não identificou maiores problemas no funcionamento das urnas e considerou a eleição brasileira como exemplar para a América Latina. A Rojae-CPLP (Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) também afirmou que a utilização de meios eletrônicos de votação "revelou-se segura, confiável e credível". O observador concluiu que as eleições brasileiras foram "livres, justas e democráticas".

O International IDEA (Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral) elogiou a imparcialidade do TSE e ressaltou a confiabilidade das urnas. A instituição defendeu que a democracia brasileira se fortaleceu com o processo eleitoral e classificou os ataques ao funcionamento das urnas como controvérsias "desnecessárias". O TCU (Tribunal de Contas da União) realizou uma auditoria do sistema eletrônico de votação e não identificou qualquer divergência nas mais de 5 milhões de informações de boletins de urna que analisou.

Conteúdo semelhante foi verificado pelo Boatos.org e Reuters Fact Check.