Homem que invadiu Capitólio sem camisa e com chifres é condenado a 3 anos de prisão

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(FILES) In this file photo taken on January 06, 2021 supporters of US President Donald Trump, including member of the QAnon conspiracy group Jacob Anthony Chansley, aka QAnon Shaman (C), enters the US Capitol in Washington, DC. The self-proclaimed
Jacob Chansley, conhecido como QAnon Shaman, durante a invasão no Capitólio. Foto: AFP / Saul LOEB
  • Jacon Chansley se auto intitulava 'xamã do QAnon'

  • Ele teve a pena diminuída de 20 anos para 3 anos e 4 meses

  • Ele é o segundo acusado por crimes violentos na invasão

O norte-americano Jacob Chansley, cuja foto sem camisa e usando um chapéu com chifres de búfalo quando invadia o Capitólio no dia 6 de janeiro circulou o mundo, foi sentenciado a três anos e quatro meses de prisão nesta quarta-feira (17).

Os promotores de justiça pediram ao juiz distrital Royce Lamberth que determinasse uma sentença de 51 meses a Chansley, que tem 34 anos. Ele se declarou culpado pelos crimes de invasão ilegal e conduta violenta em setembro.

A invasão ao Capitólio deixou cinco mortos. Chansley, que se autodenomina um “xamã do QAnon”, está detido desde janeiro.

“Os agora famosos atos criminosos do réu Chansley o tornaram a face pública da rebelião no Capitólio”, afirmaram os promotores.

O acusado foi ao tribunal usando um macacão verde-escuro, de barba e cabeça raspada. Em meio a declarações desconexas, citou Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, o juiz da Suprema Corte Clarence Thomas e até um filme baseado em uma obra de Stephen King.

“Errei por entrar no Capitólio. Não tenho desculpa. Estou verdadeiramente, realmente arrependido de minhas ações”, declarou. Ele acrescentou que não é um homem violento, muito menos um “terrorista doméstico”.

“Infringi a lei. E, se acredito na lei e na ordem, acredito na responsabilidade. Devo fazer o que Gandhi faria e assumir a responsabilidade. Espero que você veja meu coração e meu desejo de viver a vida de Cristo ou Gandhi”, disse.

Em sua fala, seu advogado apontou o “remorso sincero do réu por sua conduta” e disse que ele sofre de um transtorno de personalidade há anos. Na prisão, ele foi diagnosticado com esquizofrenia transitória, transtorno bipolar, depressão e ansiedade.

Quase 600 pessoas foram presas pelo ataque ao Capitólio. As pessoas invadiram o prédio no momento em que o Congresso se reunia para validar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições de novembro de 2020 contra o ex-presidente republicano Donald Trump.

Trump havia discursado antes do ataque e declarou, mentindo, que havia perdido a votação por causa de uma fraude.

Adeptos à teoria QAnon, que inspirou o apelido de Chansley, afirma que Trump é um herói e que a invasão do Capitólio foi uma vitória do movimento. Ao se declarar culpado em setembro, Chansley afirmou que estava desapontado por Trump não o ter perdoado. Ele enfrentava a possibilidade de pegar até 20 anos de prisão e ter de pagar uma multa de US$ 250 mil. No entanto, com a admissão de culpa, sua pena caiu substancialmente.

Outras prisões

Semana passada, a Justiça condenou um ex-lutador de MMA Scott Fairlamb, que também participou da invasão, a três anos e cinco meses de prisão, a maior pena até agora. Ele foi o primeiro invasor a ser condenado por acusações relacionadas a atos de violência.

Na decisão de Royce Lamberth, o juiz aponta a gravidade dos atos de Fairlamb durante a invasão. Câmeras presas aos uniformes dos policiais o flagraram aos gritos antes de agredir com socos os agentes. Já imagens feitas por outros invasores o mostram cometendo atos de vandalismo. No tribunal, Fairlamb admitiu que seu comportamento foi “completamente irresponsável e imprudente”.

Até a condenação de Fairlamb, os outros suspeitos foram acusados de crimes não violentos. Entre eles, o brasileiro Eliel Rosa, de 53 anos, que enfrentou a Justiça por obstrução de processo, por entrar e permanecer em local restrito, conduta desordeira e perturbadora em local restrito, além de participar, ajudar, encorajar o protesto e os piquetes. Ele recebeu pena de um ano em liberdade condicional.

Outro condenado foi Troy Smocks, que pegou um ano e dois meses de prisão por publicar ameaças online. Em seu julgamento ele disse que era tratado de forma mais severa por ser negro.

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