Homem que tentou fraudar 'passaporte da vacina' pediu injeção de vento

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RIO — Desde a última quarta-feira está em vigor na cidade do Rio o "passaporte da vacina", que impede o acesso de não vacinados ou atrasados — a depender da idade — em alguns ambientes coletivos, além de impossibilitar entrar em programas sociais da prefeitura e realizar cirurgias eletivas. Com o começo da cobrança, aumenta o número de relatos de tentativas de fraudar o comprovante da vacina contra a Covid-19. Nesta quinta-feira a técnica de enfermagem Veronica Almeida, que trabalha no Centro Municipal de Saúde Hamilton Land, na Cidade de Deus, foi coagida a permitir a fraude por um homem que se identificou como "militar".

Em um vídeo de desabafo, publicado pelo colunista Ancelmo Gois, Veronica contou que foi a terceira vez na semana que tentaram fugir da unidade com o comprovante e sem se vacinar. Ao GLOBO ela ainda disse que impediu do homem sair com o documento sem tomar a vacina. Ela ainda diz que ficou assuntada porque o homem ficou nervoso, agressivo e chegou a pedir ela fingir aplicar a vacina:

— Ele primeiro pediu para ir banheiro, mas depois de eu dizer que ele podia mas sem o cartão ele começou a ficar nervoso e desistiu. Então veio cochichar para eu apenas furar o braço e não aplicar o líquido. Estava só querendo pegar o comprovante e ir embora. Quando ele percebeu que eu não daria o comprovante sem tomar a vacina ele começou a se exaltar e saiu me xingando — relembra a técnica de enfermagem.

A prefeitura já identificou quatro casos de pessoas que conseguiram fugir sem se vacinar: três em Bangu e um na Barra da Tijuca. Como havia o registro de nomes e CPF, todos foram denunciados à Polícia Civil. Procurada na noite desta sexta-feira, a corporação ainda não retornou os contatos.

Sobre os três casos que ocorreram nesta semana na Cidade de Deus, a secretaria Municipal de Saúde disse que os profissionais conseguiram evitar a saída da pessoa com o documento. A pasta afirma que quem subtrair e usar documentos de vacinação adulterados está sujeito às penalidades legais e criminais.

A prefeitura também diz que nas últimas semanas reformularam os fluxos de atendimento para "impedir a ocorrência de qualquer tentativa de subtração dos comprovantes, sem a devida vacinação."

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, sancionou nesta quarta-feira lei que institui multa de R$1 mil como sanção administrativa para quem tentar fraudar o comprovante de vacinação contra a Covid-19. Caso a pessoa seja servidor público, a multa sobe para R$ 1,5 mil. De autoria de Átila Nunes, líder do governo Paes na Câmara, com a coautoria de dez outros vereadores, a lei ainda depende de regulamentação. A punição também vale para aquele que fuja do posto com comprovante, sem ter a vacina aplicada. Os casos também serão informados às autoridades policiais para que os envolvidos sejam investigados por crime de falsificação de documento público. O infrator que não pagar a multa terá o nome inscrito na dívida ativa do município.

Na segunda-feira, por 40 votos a zero, o projeto de lei foi aprovado na Câmara dos Vereadores. O vereador Carlos Bolsonaro, que se posicionava contra a "passaporte da vacina", também votou a favor. Nas redes sociais, ele alegou que o voto foi para "quem falsifica documentos
O "passaporte de vacinação" já estava previsto para valer a partir da primeira semana de setembro, mas por causa de instabilidade no aplicativo ConecteSUS, que servirá como meio de comprovação, e devido aos pedidos de prorrogação dos setores contemplados, a medida só começou a valer nesta quarta-feira. Veja os locais onde o "passaporte" será exigido:

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