Homem sem doença terminal é o primeiro a morrer por eutanásia na Colômbia

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Victor Escobar Prado, primeira pessoa sem doença terminal a morrer por eutanásia na Colômbia
Victor Escobar Prado, primeira pessoa sem doença terminal a morrer por eutanásia na Colômbia
  • Um homem de 60 anos foi o primeiro a morrer por eutanásia na Colômbia sem ter doença terminal

  • Victor Escobar Prado sofreu um acidente automobilístico, há 36 anos, e dois AVCs, em 2007 e 2008

  • O paciente lutou na Justiça durante dois anos pelo procedimento, legalizado na Colômbia desde 1997

Victor Escobar Prado, de 60 anos, tornou-se a primeira pessoa a morrer por eutanásia na Colômbia sem ter uma doença terminal. Ele tinha diversos problemas de saúde após sofrer dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs), em 2007 e 2008, e agravados por um sério acidente automobilístico, há 36 anos, que fez com que fosse submetido a quatro cirurgias na coluna.

O procedimento foi realizado em um clínica em Cali, na última sexta-feira (7). Victor Escobar passou suas últimas horas de vida ao lado da família (a mulher, Diana, e seus quatro filhos) e o advogado Luis Giraldo Montenegro, com quem compartilhou o último almoço.

"Victor Escobar pediu para doar seus órgãos. Ele morreu às 21h20 de sexta-feira, 7 de janeiro de 2022, como era seu desejo. Victor conseguiu. Ele descansou da dor", compartilhou Montenegro em seu Twitter.

Pouco antes, Victor Escobar, que era motorista, divulgou um vídeo agradecendo a todos que se solidarizaram com seu caso.

"Obrigado a todos os colombianos que de uma forma ou de outra nos deram apoio, essa confiança para continuar com nossa luta. Bênçãos e abraços a todos. E não digo adeus, mas até logo. A vida não se compra, aos poucos vai chegando a vez de cada um de nós. Pouco a pouco nos encontraremos onde Deus nos colocou. Abraços e bênçãos a todos [...] Eu os estimo e amo de toda a minha alma", despediu-se.

O paciente lutou na Justiça durante dois anos para conseguir que seu pedido fosse aprovado. Além de dificuldades de mobilidade, com o lado esquerdo do corpo paralisado, ele tinha doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose pulmonar e tinha diabetes e hipertensão. O colombiano também sofreu uma trombose e tinha problemas cardíacos, com um dos lados do coração maior que o outro.

Em 27 de junho do ano passado, Escobar teve o direito negado porque a junta médica de sua Entidade Promotora de Saúde (EPS) determinou que ele não estava em fase terminal. Um mês depois, porém, o Tribunal Constitucional ampliou o direito fundamental de morrer com dignidade aos doentes que sofrem intensamente com lesões corporais ou doenças graves e incuráveis.

Antes de Victor Escobar, Martha Liria Sepúlveda, de 51 anos, também tentou passar pelo procedimento sem estar em estado terminal, no ano passado, mas sua eutanásia foi suspensa horas antes do programado. Portadora de esclerose lateral amiotrófica (ELA), relatou sentir dores e ter perdido o movimento das pernas, o que a atrapalha na vida cotidiana. A doença é degenerativa e sua saúde vai piorar progressivamente, sem chances de cura.

A Colômbia foi o primeiro país na América do Sul a legalizar a eutanásia, ou morte assistida, em 1997. A prática, entretanto, valia apenas para pacientes que tivessem doenças terminais, como forma de abreviar o sofrimento da pessoa em situação já irreversível, se assim fosse a decisão dela.

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