Homenagem às vítimas do atentado de Nice

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Os retratos das três vítimas do atentado à Basílica de Notre-Dame-de-l'Assomption, durante a homenagem prestada em Nice, em 7 de novembro de 2020

Homenagem às vítimas do atentado de Nice

Os retratos das três vítimas do atentado à Basílica de Notre-Dame-de-l'Assomption, durante a homenagem prestada em Nice, em 7 de novembro de 2020

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, expressou neste sábado (7) sua "emoção", "compaixão" e "indignação" durante a homenagem nacional às três vítimas, incluindo uma brasileira, do atentado cometido em 29 de outubro na Basílica de Notre-Dame de Nice (sudeste).

"É toda a França que é alvo do terrorismo, mas Nice tem pago um alto preço", disse o primeiro-ministro, referindo-se a este ataque e aquele que deixou 86 mortos no Passeio dos Ingleses no dia 14 de julho de 2016.

"Em 29 de outubro, um terrorista roubou três vidas dentro de uma igreja", afirmou Castex, evocando uma "profanação".

"O terrorismo ataca o que somos, o que faz nossa identidade, nossa liberdade, nossa cultura e, finalmente, nossas vidas", declarou.

"O inimigo, nós o conhecemos, não só é identificado, mas tem nome, é o islamismo radical, uma ideologia política que desfigura a religião muçulmana ao desviar seus textos, seus dogmas e seus mandamentos para impor sua dominação pelo obscurantismo e ódio", acrescentou o chefe do governo, durante a cerimônia realizada no topo da Colina do Castelo, uma antiga cidadela construída no topo de uma colina que se ergue sobre a baía de Nice.

Nove dias após o ataque cometido pelo tunisiano Brahim Aouissaoui, todas as prisões preventivas foram retiradas, incluindo a de um menor de 17 anos, preso na tarde de quarta-feira na região de Paris.

No total, onze pessoas foram colocadas sob custódia policial e depois libertadas desde o início da investigação, aberta pela Promotoria antiterrorista, em particular por "assassinatos em conexão com uma empresa terrorista".

Sexta-feira, o agressor, gravemente ferido durante sua prisão e também testado positivo para o novo coronavírus, foi transferido de avião e sob segurança máxima de Nice para Paris.

Aouissaoui, que ainda corre risco de morte, foi hospitalizado em Paris, segundo uma fonte próxima ao caso. Ele ainda não foi ouvido pelos investigadores.

Em meados de setembro, ele deixou clandestinamente a cidade de Sfax, no centro da Tunísia, onde morava com sua família e trabalhava no reparo de motocicletas.

Depois de cruzar o Mediterrâneo e chegar à ilha italiana de Lampedusa, Brahim Aouissaoui teria sido colocado em quarentena com cerca de 400 migrantes na balsa "Rhapsody", segundo a imprensa italiana, antes de desembarcar no continente em Bari, no sudeste da Itália, em 9 de outubro.

Uma fonte próxima à investigação especificou que ele então foi para a Sicília, antes de ingressar na França. 

A investigação conseguiu determinar que ele chegou em Nice na terça-feira, 27 de outubro, dois dias antes do ataque. 

Além da brasileira Simone Barreto Silva, mãe de três filhos, as outras vítimas do atentado são uma mulher de 60 anos e o sacristão da basílica.

Este ataque terrorista é o terceiro perpetrado na França desde a republicação, no início de setembro, das charges do profeta Maomé pelo veículo satírico Charlie Hebdo.

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