Homens armados ameaçam funcionários da Funai na Amazônia, denuncia entidade indígena

Após fiscalização em balsas de garimpo instaladas na região, homens armados ameaçaram servidores da Base de Proteção Etnoambiental (Bape) da Funai, no Rio Jandiatuba, no último dia 15. Entre os trabalhadores estavam indígenas da etnia Matis. O caso acaba de ser denunciado hoje pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), uma das regiões mais ameaçadas pelo garimpo, pela pesca ilegal e pelo narcotráfico na Amazônia.

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Eles teriam chegado ao local, por volta das 17h, e perguntaram quantos servidores atuavam na unidade, segundo relato da Univaja. A base da Funai tem como atribuição proteger o território indígena de invasões. A entidade acredita que a ida de criminosos até a base tem relação com vistorias feitas pelos funcionários federais, entre os últimos dias 24 de fevereiro e 18 de março, quando foram identificadas no próprio Rio Jandiatuba 19 balsas de garimpo em atividade. A movimentação logística indicava que o grupo se deslocava entre o município de São Paulo de Olivença (AM) e pontos de retirada de madeira para a construção de balsas perto da área de indígenas isolados. Essas pessoas, segundo o relato, portavam armas de fogo (calibres 16 e 12). O relatório da Funai, diz a Univaja, "plotou" 14 coordenadas de GPS que permitiram mapear toda a atividade de garimpo na região.

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No mesmo período, ainda de acordo com a Univaja, em 16 de março, foi informado pela entidade à Polícia Federal no Amazonas que havia um "aumento exponencial" da atividade de garimpo ilegal nos rios Jandiatuba e Jutaí. A entidade observa ainda que essas informações foram reunidas e relatadas pelo indigenista Bruno Pereira, assassinado no Rio Itaquaí em 5 de junho. Ele estava acompanhado do jornalista britânico Dom Philips. Ambos foram atacados por homens que seriam ligados à pesca ilegal. O inquérito sobre o crime ainda está em curso. O mandante dos assassinatos seria o traficante conhecido como Colômbia, que está preso.

"Nesse contexto de insegurança, após mais de um mês do assassinato de Bruno Pereira e Dominic (Dom) Philips, a Univaja vem alertar que nenhuma providência concreta foi tomada para atuação ativa e preventiva do Estado Brasileiro através de suas instituições competentes em relação à segurança das pessoas (indígenas e não indígenas) do Vale do Javari", conclui a entidade, que cobra a criação de um plano emergencial para o Vale do Javari pelo governo federal, a atuação conjunta do Exército, da PF e do Ibama por pelo menos seis meses na região, ao lado de servidores da Funai, e a atuação contínua, também por seis meses, do batalhão ambiental da Polícia Militar no trecho do Rio Itaquaí, entre a cidade de Atalaia do Norte e o Vale do Javari.

O GLOBO procurou a Funai, que ainda não se pronunciou.

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