Homens e mulheres da Portela desfilam com peitos desnudos em carro alegórico que representa navio negreiro

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RIO — Treze mulheres e 15 homens, todos negros e com os seios e peitos desnudos, estão entre os integrantes da Portela que desfilam na Marques de Sapucaí neste sábado. Eles integram o time que representa o povo escravizado, no carro travessia/Navio Negreiro, quarta alegoria da azul e branco de Madureira. Segundo a escola, a escolha para integrar a equipe que desfila no carro foi feita na comunidade de forma aleatória. Contador e funcionário administrativo de um escritório de advocacia, Ruan Montes de 29, é um dos que está com o peitoral a mostra. Ele revelou que fez uma preparação especial para desfilar em cima da alegoria.

— Soube que a escola estava precisando de homens negros para o carro e aceitei o convite. Eu fiz uma dieta e, há uns dois meses, intensifiquei a malhação para atender melhor ao que a escola precisava — disse.

O contador também conta já ter sido vítima de preconceito. Ele disse que a chance de representar o povo escravizado faz lembrar que o problema persiste até os dias atuais.

— Sou preto e homossexual e já sofri preconceito. Representar o povo escravizado faz lembrar que até hoje o preconceito não acabou. Por muito tempo a história do nosso povo foi apagada — disse.

O militar Gabriel Pinna, de 25, é outro integrante do carro que também já foi vítima de preconceito ou racismo. Ele conta já ter sido vítima de abordagens policiais violentas por ser negro. Segundo Pinna, a última vez que isso aconteceu foi há três semanas, na Zona Norte do Rio.

— Foi uma coisa de preconceito mesmo. Fui retirado de um carro de aplicativo, em Madureira. A polícia me revistou de forma brusca. Tive que abrir as pernas e tudo. Só depois que me identifiquei é que pediram desculpas. E não foi a primeira vez. Sempre sou abordado assim — disse.

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