Honduras realiza primárias presidenciais marcadas por acusações de narcotráfico

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O presidente hondurenho Juan Orlando Hernández durante uma entrevista à AFP no palácio presidencial de Tegucigalpa, em 29 de janeiro de 2021

Honduras iniciou neste domingo (14) a eleição de seus candidatos para as eleições gerais de 28 de novembro, um processo marcado por acusações de tráfico de drogas contra o presidente Juan Orlando Hernández, que também envolvem outras pessoas.

No processo participam os três partidos com mais simpatizantes do país e que competirão para suceder Hernández. As urnas abriram às 06h00 locais (09h00 no horário de Brasília), com os eleitores convidados a respeitar as medidas de segurança pela pandemia.

Cerca de 4,8 milhões de pessoas estão aptas a votar, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

A votação termina às 16h00 locais (19h00 em Brasília), enquanto a tendência dos resultados será anunciada oficialmente a partir de terça-feira.

No governante Partido Nacional (PN, direita) disputam a candidatura o prefeito de Tegucigalpa, Nasry Asfura, e o presidente do Congresso Nacional, Mauricio Oliva. Ambos foram mencionados em casos de corrupção, como desvio de verba pública.

O esquerdista partido Liberdade e Refundação (Livre) apresenta como principal candidata Xiomara Castro, esposa do derrubado presidente Manuel Zelaya, favorita contra seus concorrentes internos, segundo as pesquisas. Seu esposo também foi acusado de narcotráfico.

Enquanto isso, o Partido Liberal (PL, direita) apresenta como candidato o empresário e ex-deputado Yani Rosenthal, que em 2017 foi declarado culpado nos Estados Unidos por lavar dinheiro procedente do cartel de Los Cachiros.

Contra ele, concorrem o professor universitário Luis Zelaya e o deputado Darío Banegas.

As primárias acontecem em meio a acusações contra o presidente Hernández e outros líderes políticos de terem recebido subornos de traficantes de drogas em campanhas de eleições anteriores, em um julgamento que se desenvolve em um tribunal dos EUA.

O nome do presidente já havia sido mencionado nos últimos dias por testemunhas e pelo Ministério Público de Nova York, que o considera um "co-conspirador" dentro de um "narco-Estado", acusações que ele rejeita.

Um líder do cartel Los Cachiros, Devis Rivera, preso em Nova York, afirmou nesse julgamento que entregou subornos tanto ao presidente quanto ao atual vice-presidente, Ricardo Álvarez, além do ex-governante Manuel Zelaya. Todos eles negam as acusações.

Também disse que o ex-presidente Porfirio Lobo facilitou a lavagem de dinheiro.

Em tribunais americanos anteriormente o irmão do presidente, Juan Atonio "Tony", foi declarado culpado de narcotráfico "em grande escala". Ele espera uma sentença de ao menos 40 anos de prisão este mês.

Em novembro estão habilitados para concorrer um total de 14 partidos, com candidatos para 128 cadeiras no Congresso Nacional, 20 para o Parlamento Centro-Americano e 298 corporações municipais.

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