A hora da festa: apoiadores de Lula festejam eleição do petista em pontos populares do Rio

A conquista do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva foi recebida com choro e abraços profundos nos redutos petistas da cidade. No Largo de São Francisco da Prainha houve cantoria e festa, na Cinelândia, palco das maiores manifestações populares da cidade, o clima foi de carnaval. O mesmo se viu na Praça São Salvador, na Zona Sul. Uma noite de domingo histórica para muitos, que ganhou trilha sonora certeira nos versos da canção “Pode acreditar”, do grupo Revelação entoada em todos os cantos onde houve comemoração: “Pode acreditar um novo dia vai raiar, sua hora vai chegar!”

O clima de festa no Largo de São Francisco da Prainha, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, começou bem antes de ser anunciado o resultado. O local, que carrega parte importante da história da formação da cidade, ponto de referência do melhor que a cultura popular carioca pode oferecer, explodiu comemoração já por volta das 18h, quando a diferença caiu para menos de 2%. Naquele momento Bolsonaro tinha 50,9% contra 49,12% de Lula. Duas horas depois, com a consolidação da vitória a catarse foi completa.

Moradoras de Niterói, a gerente comercial Núbia Carla Sanatini e a estudante de psicologia Thainana Cavalcante votaram e atravessaram a Baía de Guanabara, chegando ao Largo de São Francisco da Prainha às 15h30. Elas fizeram questão de chegar cedo e se postarem próximas ao telão, de onde acompanhavam com empolgação a redução da diferença entre os candidatos.

Na Cinelândia, enquanto a mãe acalentava um bebê no colo uma multidão saltava e comemorava como se fosse final de campeonato ou domingo de carnaval. Na Praça São Salvador, conhecido reduto petista, a festa teve música e cantos de vitória entoados por apoiadores de todas as idades.

Postados em frente ao telão instalado no Largo de São Francisco da Prainha desde as 17h, os vizinhos Márcia Rufino, comerciária, 55, e o advogado Fernando Tizon, 36, viveram todas as emoções da apuração, da tensão até o momento da virada nos votos até o choro no momento em que Lula foi anunciado como presidente do Brasil, para um terceiro mandato.

"Tinha muito medo do Bolsonaro ganhar, ela que me tranquilizava. Tive medo de passar mal a sério - conta Fernando."

A amiga, vizinha de prédio no Flamengo, garante que sempre teve certeza da vitória.

"Voto no PT desde sempre, nunca duvidei que o Lula fosse conseguir. Mesmo assim, foi tenso", conta ela. "Só mesmo quando veio o anúncio oficial que veio o alívio. Aí foi aquela explosão, alegria, choro, tudo junto."

Na Praça São Salvador, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, há pouco espaço para caminhar. A multidão que se concentrou para acompanhar a apuração vibrou com fogos, gritos e abraços quando a vitória técnica de Lula à presidência foi anunciada. O professor e ator Gustavo Maranhão, de 47 anos, chorava copiosamente diante do resultado.

"É o choro da esperança, o choro de não sofrer, de poder construir um Brasil melhor. Eu sei que os outros 50% que votaram no Bolsonaro não são pessoas raivosas, é uma parte que é antipetista, mas precisa entender que a mudança é feita a partir do povo. Vamos viver um país melhor. As diferenças tem de coexistir. E Lula é união. O país melhora quando a gente entende que não pode ter um brasileiro com fome, quando a gente ampara os mais pobres", afirma emocionado.

A plenos pulmões, eleitores do petista entoaram “Olê, olê, olá” e diversas outras músicas de campanha, com direito à bateria, buzinaço de quem passa de carro e o clássico “L” com os dedos. O servidor público Américo Sergenti, de 66 anos, foi com a esposa e o cachorro Jhonny Depp, de 7 anos, participar da festa.

"É muito emocionante. O pesadelo acabou. A apuração foi uma ansiedade, foi muito tenso. A gente sabe que vai ser difícil para o Lula governar, mas a expectativa é de mudança. Juntos a gente vai combater o preconceito, fascismo e o ódio", disse Américo.