Hora de soluções: ‘Reage,Rio!’ discute ações e desafios

Letycia Cardoso

RIO - A sétima edição do “Reage, Rio!”, evento promovido pelos jornais O GLOBO e “Extra”, acontece nesta quinta-feira, a partir das 10h30m, num formato especial: por videoconferência, transmitida ao vivo nos sites e fanpages das marcas, respeitando o distanciamento social imposto pela pandemia do coronavírus. O LinkedIn e o canal do Youtube do GLOBO também exibirão o debate, cujo tema é “O Rio que se adapta e inspira”. No encontro, oferecido pelo Sesc e pelo Senac, com apoio da Fecomércio-RJ, serão discutidas atitudes desenvolvidas por instituições e pessoas para ajudar a sociedade no enfrentamento da crise.

Editora executiva da redação integrada de O GLOBO, “Extra” e “Época”, Maria Fernanda Delmas será responsável por mediar um debate entre o presidente da Fecomércio-RJ, Antonio Florencio de Queiroz; a fundadora do Instituto Ekloos, Andréa Gomides; o ator, diretor e escritor Lázaro Ramos; a diretora de recursos humanos da M4U, Alana Antunes; e o antropólogo Michel Alcoforado. Além de abordar a adaptação de negócios ao isolamento social, o grupo vai conversar sobre manutenção de empregos e novas formas de renda, mudança de comportamento de consumo e uso da tecnologia e da arte para a garantia do bem-estar.

O Instituto Ekloos, que atua capacitando negócios de impacto social e organizações sem fins lucrativos para que se reinventem e reduzam a desigualdade, não interrompeu o seu programa de aceleração que, agora, acontece pela internet. Na próxima semana, será aberto um edital para a seleção de 17 entidades do Rio e de São Paulo, que participarão da iniciativa por cinco meses, sendo contemplados com R$ 20 mil.

Uma outra iniciativa é o Festival UP, que começou no último dia 14 de abril e se estende até 12 de julho, com objetivo de remunerar artistas de cinco áreas — humor, teatro, dança, literatura e música. Os interessados devem produzir vídeos de seus trabalhos e enviá-los para a curadoria do programa. Os filmes selecionados serão exibidos no YouTube e no site festivalup.org. Para cada um é pago um cachê de R$ 300, e já foram feitas 5 mil inscrições em 255 cidades brasileiras.

À frente do Instituto Ekloos, Andréa Gomides é uma das articuladoras da campanha “Riocontracorona”, do Movimento União Rio, que atingiu ontem a marca de mil toneladas de alimentos e 300 mil litros de materiais de limpeza e higiene distribuídos em 178 comunidades cariocas, beneficiando cerca de 400 mil pessoas. Para se ter uma ideia, seria preciso mais de dois gramados do Maracanã para dispor o total de cestas entregues.

— Estamos chegando onde ninguém chegava. Falo de pessoas que já estavam à margem da sociedade e que, agora, estão vendo sua situação se agravar. Encontramos cinco, seis ou mais vivendo em casas muito pequenas que, às vezes, têm chão de areia. Precisamos entender a realidade das famílias para ajudá-las da melhor forma. Nem sempre adianta dar desinfetante para limpar piso — disse Andréa.

O antropólogo Michel Alcoforado acredita que o cenário irá provocar imensas transformações na sociedade brasileira, como aconteceu em outros países após epidemias. Por isso, ele considera fundamental propor mudanças para o futuro:

— Na periferia, a letalidade é cinco vezes maior que nos bairros centrais. Este momento é uma oportunidade de repensarmos as desigualdades sociais. É hora de vermos as contradições para as quais tapávamos os olhos na correria do dia a dia.