Horta em casa: desperte o jardineiro que há em você

Isabela Caban
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Horta em casa

Se tem algo que todos estão em busca no momento é por tarefas prazerosas em casa. E apostar numa hortinha, aquela que você já tentou mas nunca teve tempo, paciência e persistência para investir, pode não apenas despertar o jardineiro que há em você, como ainda render bons frutos (e temperos, folhagens…) para incrementar a cozinha. Antes de tudo, paisagistas avisam: não existe horta sem sol. Portanto, é preciso encontrar na casa o lugar onde há mais incidência — ideal que bata de três a quatro horas, diariamente. Gabriela Pileggi, que comanda a jardinagem do programa “Mais cor, por favor”, no GNT, aconselha focar em mudas em vez de sementes. “Para quem está começando, é bem mais fácil. O aproveitamento é maior e a colheita, mais rápida.”

Gabi cita logo os temperos quando o assunto é praticidade. Alecrim, cebolinha, manjericão, hortelã, tomilho, os chás… “Mas para dar certo tem que colher! As pessoas acham bonito e tratam como se fossem plantas ornamentais”, observa. Essa turma não precisa de muito espaço, cabe em vasos individuais e pode ser usada para cozinhar em cerca de um mês. Algumas folhas e frutas também entram nessa lista, como cenoura, alface (já precisam de recipientes maiores), jabuticabeira, pitangueira e limoeiro (dá para comprar mudas mais crescidinhas, se adaptam muito bem em vasos).

Atenção aos erros mais comuns: além da falta de sol, tem a escassez de água (necessário regar todos os dias, sem encharcar) e pouca adubação. “Compre um substrato bem rico em matéria orgânica. Uma dica boa é bokashi, um adubo mais completo que libera aos poucos os nutrientes”, sugere Gabi.

Nessa ideia da escolha por produções simples e rápidas, que não demandam muito conhecimento, a paisagista Ana Cardoso Souza defende as sementes para plantar brotos e baby leafs (folhas), que são versões pequeninas dos alimentos, com bom valor nutritivo. “A mais interessante de todas é a rúcula, que em três dias já começa a crescer e com 15, dá para colher. Também gosto muito de rabanete, pensando na folhagem dele”, explica. “Alface é outro que se sai muito bem, todos em baby leaf. Já para os brotos, trigo e alfafa. Legal é que não precisam de uma insolação tão intensa. Pode ser um lugar na casa com boa entrada de luz natural e pouco sol”, emenda.

A expert, que tem um trabalho ecopedagógico com hortinhas em escolas, condomínios e eventos (@supersementes), explica qual a diferença entre broto e baby leaf na hora de plantar: “Para o primeiro, basta pegar um pratinho retangular, sem furo, e botar uma camada de dois centímetros de terra, sem adubo nenhum. Depois, espalha as sementes por cima, como se estivesse salpicando sal”, diz. “Já para o baby leaf, são quatro centímetros de terra no pratinho. Depois, basta fazer umas covinhas (furos, não tão perto um do outro) e jogar, dentro de cada uma, duas sementes. Em ambos os casos, apenas borrifar com água.”

E ainda dá para arriscar as raízes. A paisagista Mônica Chaffin, da Nativa Paisagismo, garante que não é difícil. Em seu apartamento, ela escolheu o parapeito da janela, na área de serviço, para plantar inhame e deu certo. Foi preciso um vaso com mais profundidade, lembrando que o crescimento é para baixo. “Ele tem uns 25 cm de profundidade e uma boca de 20 cm. Já colhi três inhaminhos. Muito legal comer o que você produziu”, diz Mônica. “Acho que o mundo caminha para isso. Ser mais autônomo na produção da nossa comida… faz parte da nossa ancestralidade.”

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