Hospitais à beira da saturação em Londres, diz prefeito

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Profisisonal da saúde leva paciente com covid-19 para uma das ambulâncias do lado de fora do Royal London Hospital, em Londres

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, alertou nesta sexta-feira (8) que os hospitais da capital britânica podem ficar saturados em breve com o aumento exponencial de pacientes com covid-19 e declarou a situação como "incidente maior", com a esperança de obter ajuda do governo.

"Se não tomamos medidas imediatas agora, nosso serviço nacional de saúde poderia ficar saturado e mais pessoas morrerão", afirmou citado em um comunicado.

A declaração de "incidente maior" é um requisito formal para obter uma resposta global de várias agências do governo.

Segundo uma informação do serviço de saúde pública aos responsáveis dos hospitais, e divulgada na quinta-feira pelo Health Service Journal, mesmo se o número de pacientes com covid-19 aumentar, seguindo as menores projeções, em 19 de janeiro haveria um déficit de 2.000 leitos de cuidados gerais e intensivos (UTI) nos hospitais de Londres.

O número de casos de coronavírus em Londres já supera os 1.000 a cada 100.000 habitantes, segundo o comunicado da prefeitura.

"Um em cada três londrinos agora tem covid. Por isso os serviços públicos de Londres pedem a todos os londrinos que fiquem em casa, exceto para compras e ações absolutamente essenciais", afirmou a presidente dos conselhos municipais de Londres, Georgia Gould.

Os 56 milhões de habitantes da Inglaterra entraram em um terceiro confinamento total na terça-feira, previsto até o fim de março. Esócia, Gales e Irlanda do Norte aplicaram medidas semelhantes de durações variadas.

Entre 30 de dezembro e 6 de janeiro, o número de pacientes nos hospitais de Londres cresceu 27%, passando de 5.524 para 7.034, e o número de pacientes com ventilação mecânica cresceu 42%, de 640 para 908, de acordo com a mesma fonte.

Somente nos últimos três dias foram registradas 477 mortes confirmadas por covid-19 nos hospitais de Londres, onde há atualmente 7.034 pessoas internadas por sintomas graves dessa doença (35% a mais que no pior momento da primeira onda na primavera).

- Terceira vacina e mais testes -

Enfrentando outra onda incontrolável de coronavírus desde a descoberta em dezembro de uma nova cepa aparentemente mais contagiosa, o Reino Unido registrou na quinta-feira 1.162 novas mortes. Com um total de 78.508 óbitos, volta a ser o país da Europa mais castigado pela pandemia, à frente da Itália.

O governo de Boris Johnson, muito criticado por suas políticas errôneas, agora centra sua estratégia no confinamento e em uma forte aceleração da campanha de vacinação da qual foi o primeiro dos países ocidentais a lançar, em 8 de dezembro.

Desde então, vacinou quase 1,5 milhão de pessoas com as vacinas desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e AstraZeneca/Oxford.

Nesta sexta-feira, o regulor independente britânico MHRA aprovou o uso da vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo laboratório americano Moderna.

As autoridades de saúde britânicas aumentaram para 17 milhões, contra os 7 milhões anteriores, o número de doses solicitadas desta vacina, que só estará disponível no país na primavera boreal.

Para tentar impedir a importação de casos, as autoridades anunciaram nesta sexta que a partir da próxima semana todos os viajantes que chegarem na Inglaterra e Escócia, incluindo os residentes, terão que apresentar um teste negativo de coronavírus realizado nas 72 horas anteriores, embora isso não os isente de respeitar uma quarentena de 10 dias de acordo com seu país de origem.

Quem não cumprir a nova norma pode ser sancionado imediatamente com uma multa de 500 libras (553 euros, 678 dólares).

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