Hospitais de Buenos Aires têm longas filas para testes de covid-19

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Agente de saúde realiza um teste para detectar a covid-19, no centro de convenções Costa Salguero, em Buenos Aires, em 5 de abril de 2021

Os centros de testes para a detecção de covid-19 dos hospitais de Buenos Aires estavam lotados nesta segunda-feira (5) de pessoas com sintomas da doença que esperaram até quatro horas para serem atendidos, em meio ao aumento de infecções no país, constatou a AFP.

Nesta segunda, após o feriado da Semana Santa, foram registradas 272 mortes, elevando o balanço total para 56.471 mortos. Nas últimas 24 horas, foram notificados 13.667 novos casos, assim, o total de infecções chegou a 2.407.159, em uma população de 45 milhões.

Na calçada do Hospital Durand, em Buenos Aires, uma paciente fila de pessoas esperou por horas, muitos com febre, dor de cabeça e tosse. Nos hospitais Rivadavia e Pedro de Elizalde, também na capital argentina, não foi diferente.

"Estamos todos muito assustados, as pessoas não se cuidam, não usam máscara, os bares ficam abertos até qualquer hora", reclamou Nathaly Basualdo, uma caixa de 38 anos com sintomas que aguardava seu teste.

A Argentina vive uma segunda onda de infecções com a circulação das cepas do Brasil e do Reino Unido, enquanto a vacinação avança com dificuldades devido ao atraso na chegada das doses.

O presidente Alberto Fernández, de 62 anos, deu positivo na sexta-feira para covid, apesar de ter recebido as duas doses da vacina russa Sputnik V. Ele se encontra confinado.

Nesta segunda-feira, o escritório do presidente indicou que Fernández apresenta "um quadro clínico brando" e especificou que o estudo de sequenciamento do genoma determinou que a linhagem do vírus que o afeta "não corresponde a nenhuma das novas variantes circulantes que estão causando preocupação".

Vladimir Putin ligou para o presidente argentino nesta segunda-feira para desejar-lhe uma "recuperação rápida e completa", de acordo com um comunicado do Kremlin.

- Economia sofre -

O país aplicou no ano passado um severo confinamento durante meses e, apesar do impacto econômico com uma contração de 9,9% do Produto Interno Bruto, conseguiu evitar o colapso do sistema de saúde.

Após um ano letivo sem aulas presenciais em 2020, as escolas reabriram em março. As atividades comerciais e produtivas foram retomadas há meses e há resistências para que parem novamente.

Mas os epidemiologistas expressam preocupação. "E se em duas semanas tivermos 30.000 ou 35.000 detectados [por dia]? Não teremos mais que tomar medidas parciais, teremos que fazer um fechamento global. Acho que medidas restritivas deveriam ter sido tomadas antes da Semana Santa", disse o médico imunologista Jorge Geffner.

A ocupação das unidades de terapia intensiva atingiu 56,1% a nível nacional nesta segunda e subiu para 62% na cidade de Buenos Aires e arredores.

"Há um aumento exponencial de casos, mais rápido do que no ano passado, e quem está em terapia intensiva é mais jovem", explicou a médica Rosa Reina, presidente da Sociedade Argentina de Terapia Intensiva. "Há o temor de que o sistema de saúde fique saturado", alertou.

Até o momento, a Argentina recebeu apenas cerca de 7 milhões das mais de 60 milhões de vacinas que encomendou por meio de diversos acordos.

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