Hospitais pedem ao governo que profissionais de saúde tenham regras diferenciadas de isolamento

Paula Ferreira
Preocupação dos hospitais e centros médicos é com a falta de profissionais para atender a população

BRASÍLIA- Entidades que representam hospitais e centros médicos enviaram na quarta-feira um ofício ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, solicitando que o protocolo de isolamento orientado pelo órgão seja modificado no que diz respeito aos profissionais de saúde. O pedido é que a portaria publicada no último dia 20, sobre as medidas de contenção da Covid-19, seja revista para que os profissionais de saúde não tenham que ficar em isolamento após o contato com pessoas que apresentem sintomas.

Novo boletim divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira mostrou que já há 2.915 casos confirmados da doença e 78 mortes.

Segundo a regra fixada pela portaria, deverão ser colocados em isolamento por 14 dias tanto a pessoa que apresenta sintomas da doença quanto aquelas que vivam no mesmo endereço, ainda que não tenham apresentado sintomas. O ofício assinado pela Confederação Nacional de Saúde (CNS), a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e a Confederação das Santas Casas de Misericóridas, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB ) argumenta que caso essas recomendações sejam aplicadas a profissionais de saúde elas podem acabar prejudicando o combate à epidemia.

"Se aplicarmos essa lógica de isolamento por contato com familiar aos serviços de saúde, podemos ser levados a concluir que o isolamento seria estendido àqueles que trabalham com pessoas que apresentam sintomas respiratórios, o que esvaziaria os serviços de saúde do país, reduzindo todos os esforços envidados no combate ao coronavírus", diz o ofício. O diretor jurídico da Confederação Nacional de Saúde (CNS), Marcos Ottoni, afirma que já há inúmeros relatos de profissionais de saúde , ainda que assintomáticos, que estão sendo postos em quarentena porque familiares estão com a doença.

- Em Brasília já há hospital onde sete pessoas afirmaram que o parente está infectado e precisam ficar em casa. Presumir que uma pessoa esteja infectada e imediatamente retirá-la da linha de frente vai ser um problema. Embora o ministro da Saúde tenha dito que entende que a regra não pode se aplicar a profissionais de saúde, o que está na norma é outra coisa - argumenta.