Hospitais universitários somam 3,4 mil profissionais afastados por Covid-19

Fiquem Sabendo
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Por Taís Seibt

Entre casos suspeitos e confirmados, a Covid-19 motivou o afastamento temporário de pelo menos 3,4 mil profissionais de saúde nos 35 hospitais universitários administrados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), entre março e maio. Os dados foram obtidos pela agência Fiquem Sabendo via Lei de Acesso à Informação.

Ainda que a maioria dos afastamentos tenha sido por casos suspeitos (66,8%), o levantamento demonstra que a maior parte dos afastados são profissionais fundamentais ao atendimento dos pacientes: somente técnicos em enfermagem são mais de 1,4 mil, cerca de 43% do total, seguidos de 669 médicos (19,6%) e 661 enfermeiros (19,4%). O levantamento inclui afastamentos com diferentes durações, iniciados entre março e maio de 2020.

De acordo com o conselheiro e diretor financeiro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Gilney Guerra, os dados dos hospitais universitários acompanham a tendência geral. “A pandemia está mostrando que é preciso investir mais na saúde do trabalhador, pois sem esses profissionais o cuidado à população em geral fica prejudicado”, comenta Guerra.

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O Cofen criou um observatório para monitorar afastamentos e mortes de profissionais de enfermagem: desde 16 de março, foram 19 mil afastamentos e 196 óbitos de técnicos de enfermagem ou enfermeiros por Covid-19 na rede pública ou privada de saúde. Para evitar mais mortes, o Conselho está movendo ações civis públicas para garantir mais testes para profissionais da área, assegurar o afastamento de profissionais que pertencem aos grupos de risco, e ainda criou, por meio de edital junto à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), cursos de formação específica ao atendimento de pacientes graves. “Hospitais de campanha estão sendo erguidos e UTIs estão lotadas, mas não temos especialistas o suficiente, o que aumenta o risco de contaminação por falta de conhecimento, por exemplo, em biossegurança”, observa.

Regiões mais afetadas

Entre as unidades mais afetadas por afastamentos, o Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) lidera, com 613 profissionais afastados por suspeita ou confirmação de Covid-19. É mais do que o dobro do Hospital Cassiano Antonio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), segundo da lista, com 261 afastados. Estados como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco, que têm apresentado altos índices de mortalidade por Covid-19, estão entre os que somam mais afastamentos de profissionais de saúde nos hospitais universitários.

No mesmo período, a rede de hospitais universitários da EBSERH teve 130 internações em UTI de pacientes confirmados para Covid-19 e 472 pacientes suspeitos de coronavírus ou outra Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) internados em UTI. Em leitos convencionais, foram 409 internações com confirmação de Covid-19 e 2.176 pacientes suspeitos. Ainda, 351 pacientes confirmados para Covid-19 e 1.407 suspeitos tiveram alta no período.

Na resposta via LAI, a empresa pública informou que foi instituído um processo de Censo Hospitalar Diário na rede para “subsidiar a tomada de decisão em tempo hábil”. Entretanto, os dados enviados foram extraídos do sistema anterior, um software próprio de notificações voluntárias da empresa. A EBSERH alerta se tratar de um sistema voluntário e, portanto, sujeito à subnotificação, "que ocorre por diversos fatores, dentre eles o medo, a culpa, a vergonha, a autopunição, medo da crítica de outras pessoas e do litígio, além da alegação de dificuldade para realizar uma notificação".

No Hospital das Forças Armadas (HFA), o novo coronavírus também provocou mais afastamentos de profissionais de enfermagem, técnicos e especialistas. Dos 344 servidores afastados entre março e maio, 166 são técnicos em atendimento médico hospitalar ou enfermagem.

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