Hospital de campanha com 4.000 leitos é aberto em Londres

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O secretário de saúde britânico, Matt Hancock, fala diante de um monitor durante a inauguração do hospital NHS Nightingale, em Londres

Um imenso hospital de campanha com capacidade para 4.000 leitos foi inaugurado nesta sexta-feira (3) em um centro de conferências em Londres, em um contexto de crise na saúde devido ao novo coronavírus, no qual a rainha Elizabeth II fará um discurso incomum à nação.

Inaugurado por videoconferência pelo príncipe Charles e pelo secretário da Saúde, Matt Hancock, o hospital de Nightingale conta, hoje, com 500 leitos, podendo chegar a 4.000. Este número equivale a dez hospitais convencionais.

Foi construído em menos de dez dias com a colaboração do Exército.

O filho da rainha Elizabeth II, que ficou em quarentena esta semana após ter sido infectado pelo vírus, chamou o hospital de campanha de "luz radiante em tempos sombrios".

"Sem nenhuma dúvida é uma proeza em todos os sentidos, desde a rapidez de sua construção, em apenas nove dias, até o talento de quem o criou", disse o herdeiro do trono.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, que também testou positivo para o vírus, afirmou que permanecerá em quarentena porque continua tendo febre.

Ambos fazem parte dos 38.168 casos confirmados de coronavírus no Reino Unido. Nas últimas 24 horas foram registrados mais 4.450, segundo dados desta sexta-feira às 08H00 GMT (5h00 no horário de Brasília), divulgados pelo Ministério da Saúde.

A rainha planeja fazer um discurso televisionado ao Reino Unido e Commonwealth neste domingo às 19H00 GMT (16h00 no horário de Brasília), um gesto pouco habitual.

O novo hospital tratará pacientes graves da COVID-19, que serão transferidos de outros hospitais da capital.

- "Assassino invisível" -

Hancock elogiou o trabalho do serviço nacional de saúde, NHS, pago com dinheiro público.

"Nestes tempos conturbados, com este assassino invisível cercando o mundo todo, o fato de que neste país temos o NHS é algo muito mais valioso do que antes", afirmou.

O chefe do NHS na Inglaterra, Simon Stevens, afirmou que espera que não sejam necessários mais hospitais adicionais.

"Isso vai depender em parte de como as pessoas vão cumprir as medidas para reduzir a taxa de propagação do vírus, ficando em casa para salvar vidas", declarou em um comunicado.

O governo pediu aos britânicos que fiquem em casa o máximo possível e ordenou em 23 de março o fechamento de todos os comércios de produtos e serviços não essenciais, em um contexto de confinamento nacional orientado a conter a expansão do coronavírus.

Os responsáveis de saúde alertam, no entanto, que as medidas levarão um tempo para surtir efeito.