Hospital de campanha para pacientes com Covid começa a funcional no Parque dos Atletas

Rafael Nascimento de Souza

RIO - Começou a funcionar na manhã desta segunda-feira um novo hospital de campanha no município do Rio. A unidade, que não é de portas abertas e só atenderá pacientes com a Covid-19 vindos da Central de Regulação de Vagas do Estado, funcionará no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca. Agora já são quatro desses hospitais funcionando na cidade e o segundo feito pela iniciativa privada. Neste primeiro momento, o espaço abrirá com 30 vagas para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e 50 leitos de enfermaria. Até a próxima semana serão entregues mais 20 leitos.

No total o novo hospital de campanha terá 200 leitos - 50 deles de UTI - para tratamento do coronavírus para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é que durante os quatro meses de funcionamento cerca de dois mil pacientes sejam tratados no local.

Bancado por empresas privadas e gerida pela Rede D'Or, a unidade começou a ser erguida no último dia 15 de abril e ficaria pronto um mês depois. No entanto, a obra foi adiantada e entregue na última sexta-feira. Foram gastos mais de R$ 30 milhões no local até agora. A expectativa é de que os pacientes comecem a chegar ao hospital no começo desta tarde.

Até este domingo, o estado já tinha registrado 17.062 infectados pelo coronavírus, com 1.714 mortos.

Os custos do hospital do Parque dos Atletas estão orçados em R$ 50 milhões e serão bancados por Movimento União Rio, Rede D’Or, Stone Pagamentos, Mubadala, Qualicorp, SulAmérica Seguros, Vale e Banco BV.

- O objetivo deste hospital de campanha é desafogar as unidades de saúde básica e os hospitais que já estão lotados e com pacientes à espera de internações. Ao longo da semana a gente chega a cem leitos e até no dia 23 de maio atingiremos a nossa capacidade total - diz a médica Martha Savedra, diretora do Hospital de Campanha no Parque dos Atletas.

A iniciativa privada também financiou a unidade da Lagoa-Barra, que deve atingir sua capacidade plena de 200 leitos hoje. A Rede D’Or injetou R$ 25 milhões no projeto, e Bradesco Seguros, Lojas Americanas, Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) e Banco Safra contribuíram com R$ 5 milhões cada. Mesmo sem recursos públicos, as duas unidades só recebem pacientes escolhidos pela central de regulação do estado.

- Esse hospital de campanha não tem emergência. Vamos funcionar recebendo pacientes de todo o Estado. Quem irá disponibilizar as vagas de internação será a Central de Regulação de Vagas do Estado – afirma Martha Savreda, que frisa: - Essa é uma responsabilidade enorme e que pesa. Em 20 dias teremos 200 vidas sob nossa responsabilidade.

O local também contará com equipamentos para diagnósticos, como tomógrafos, aparelhos de radiologia e ainda suporte laboratorial.

A unidade do Parque dos Atletas é mais uma ação do Movimento União Rio, um trabalho voluntário que reúne empresários e Organizações Não Governamentais (ONGs) para auxiliar os profissionais que estão na linha de frente do setor da saúde e as comunidades contra o novo vírus.

A arquiteta Daniela Raimundo, co-fundadora do projeto afirmou que o hospital de campanha deverá funcionar durante quatro meses e que a expectativa é atender até duas mil pessoas com a doença. Após o fechamento dos leitos, todo o material comprado para o espaço será doado.

- Prevendo que tudo dê certo, depois de quatro meses, doaremos todos os equipamentos comprados para unidades da rede pública de saúde – diz Daniela.

Atualmente, mais de 6.500 pessoas já doaram à entidade. Até a última sexta-feira, o Movimento União Rio já havia arrecadado mais de R$ 38 milhões. Esse valor está sendo usado para ajudar profissionais da área da saúde com a compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e de alimentos e material de higiene pessoal para moradores de 178 comunidades. Além de uma doação de 110 leitos de UTIs para o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Quando estiver funcionando por completo, o Hospital de Campanha do Parque dos Atletas terá mil funcionários, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros auxiliares.

Hospitais de campanha têm só 20% de vagas

Com mais de mil pacientes na fila por um leito, o Estado do Rio só conseguiu abrir até agora 20% das vagas previstas nos 12 hospitais de campanha planejados para enfrentar a pandemia.

Em todos os hospitais de campanha, serão 2.700 vagas, sendo 1.020 em UTIs. Com a inauguração desta segunda-feira, o total chega a 550 leitos abertos, sendo 200 com respiradores.

O primeiro hospital de campanha a abrir foi o do Riocentro, administrado pela prefeitura e que, na sexta-feira, tinha cem dos 500 leitos abertos. Já o Estado inaugurou uma instalação provisória no sábado ao lado do estádio do Maracanã, com 170 vagas disponíveis, 50 delas em UTIs. A previsão é abrir mais 230 esta semana.

Unidades estão sendo montadas em São Gonçalo (200 leitos), Duque de Caxias (200), Campos dos Goytacazes (cem), Casimiro de Abreu (cem), Nova Iguaçu (cem) e Nova Friburgo, que terá 200 vagas em uma unidade de campanha e outras 300 numa estrutura modular. O estado diz que elas serão abertas este mês.

A Secretaria estadual de Saúde informou que abriu 969 novos leitos para Covid-19 em hospitais de campanha e unidades de sua rede. A prefeitura pretende liberar mais cem leitos esta semana no Riocentro, mas vem tendo dificuldade para receber os respiradores que comprou da China.