Hospital destinado à grávidas com Covid-19 está sem insumos para tratar a doença

Vera Araújo

Referência no estado para o tratamento de grávidas com Covid-19, o Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, está sem medicamentos básicos para cuidar das pacientes. Das 17 UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) da maternidade, 10 são destinadas às gestantes infectadas por coronavírus. Deste total, apenas sete estão na ala de isolamento, porque outros dois leitos não têm condições de serem ocupados por não haver monitores e respiradores neles. Apenas uma UTI se encontra livre, porque a paciente conseguiu se curar da Covid-19 e recebeu alta na manhã deste domingo. Mesmo assim, há fila de espera pela vaga, segundo um profissional da área de saúde que trabalha no local, mas pediu para não ser identificado.

Entre os insumos básicos que já acabaram, segundo a mesma fonte, estão sedativos e bloqueadores neuromusculares, imprescindíveis no momento de colocar o paciente em respiração mecânica, ou seja, entubá-lo. A falta de ar é um dos sintomas mais graves e comuns da Covid-19. Cinco gestantes estão respirando com auxílio de aparelhos. Entre elas, uma grávida de 29 semanas de gestação. Há informações de que o estoque de antibióticos já está quase zerado.

— A demanda tem sido muito grande. Não perdemos nenhuma grávida para a Covid-19, mas, a falta de medicamentos básicos na hora de entubar, pode mudar este quadro. Já recebemos algumas ligações de hospitais perguntando se tínhamos vagas, porque a grávida precisa, além do isolamento que a doença exige, que haja intensivitas e obstetras de plantão, porque o bebê precisa ser examinado constantemente — comentou um funcionário do hospital.

A unidade é administrada pela OS Instituto Gnosis, que pediu ao estado um aditamento no contrato para a compra de medicamentos e equipamentos para os atendimentos extras por causa da doença. O contrato inicial era para disponibilizar um CTI com 10 leitos. Com a pandemia, o estado escolheu o Hospital da Mulher Heloneida Studart (HMHS) como referência, mas foi preciso ampliar o número de UTIs.

— A pedidos de transferência de grávidas com Covid-19 dos hospitais Ronaldo Gazzola, de Acari; e o Geral de Bonsucesso, para cá. Mas como receber se não há medicamentos? Além disso, faltam equipamentos de proteção individual (EPIs), como capotes.

O Heloneida Studart é o primeiro da rede estadual de saúde totalmente especializado no atendimento as gestantes e bebês de médio e alto risco, principalmente na área da Baixada Fluminense.

A secretaria estadual de saúde foi procurada, mas ainda não comentou o caso.