Hospital em Orlando nega que Bolsonaro esteja internado

AdventHealth Celebration, em um subúrbio de Orlando, nos Estados Unidos, negou informação de internação do presidente

Jair Bolsonaro durante campanha buscando reeleição no dia 30 de outubro de 2022 (Foto: Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images)
Jair Bolsonaro durante campanha buscando reeleição no dia 30 de outubro de 2022 (Foto: Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images)

O hospital AdventHealth Celebration, em um subúrbio de Orlando, nos Estados Unidos, negou que o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado no local. A informação foi revelada pelo jornal Estado de Minas.

A reportagem do jornal mineiro entrou em contato com o setor de internação do hopsital, que afirmou que não existe nenhum paciente com o nome do ex-presidente após a soletração do nome do político.

O relato inicial da internação doi do jornalista Lauro Jardim, do 'O Globo', de que Bolsonaro teria sido internado alegando fortes dores abdominais. Pouco tempo depois, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro confirmou a internação do político nos Estados Unidos e disse estar "em oração" para que seu quadro evolua positivamente.

"Meus queridos, venho informar que o meu marido Jair Bolsonaro se encontra em observação no hospital, em razão de um desconforto abdominal em decorrência das sequelas da facada que ele levou em 2018", escreveu Michelle.

Bolsonaro já foi hospitalizado algumas vezes pelo mesmo motivo desde que foi vítima de uma facada durante a campanha eleitoral de 2018. Em 2022, o ex-presidente foi internado ao menos duas vezes pelo mesmo problema.

Internação após atos terroristas

A internação aconteceu um dia depois da invasão promovida pelos terroristas pró-Bolsonaro aos prédios do Congresso, Supremo Tribunal Federal (STF) e Palácio do Planalto. A tarde de caos em Brasília rendeu uma série de bolsonaristas presos e até o afastamento provisório de Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal.

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Após as imagens de depredação rodarem o mundo, a pressão de congressistas norte-americanos contra a presença de Bolsonaro no país aumentou consideravelmente. O ex-presidente está nos EUA desde o final de dezembro, quando deixou o país nos últimos dias de seu mandato. Nesta segunda-feira (09), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) pediu a volta de Bolsonaro ao Brasil para que ele "pague pelos seus crimes".

Bolsonaro pode ser responsabilizado por invasões no DF?

Apesar de não estar no Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ser responsabilizado pela invasão golpista no Distrito Federal caso surjam provas de que ele estava envolvido nas ações. Os atos de vandalismo aconteceram neste domingo (8).

Na ocasião, manifestantes que apoiam o ex-mandatário depredaram prédios dos Três Poderes, como Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a invasão, quebraram vidraças e móveis, vandalizaram obras de arte e objetos históricos, invadiram gabinetes de autoridades, rasgaram documentos e roubaram armas.

A responsabilização de Bolsonaro pode ocorrer se ficar comprovado que ele financiou, instigou ou orquestrou as ações. À Folha de S. Paulo, o professor do Insper, Diego Werneck, avalia que o político deveria ter sofrido impeachment por incitar as pessoas contra as instituições ao longo do mandato.

"Agora que saiu do cargo, os instrumentos e critérios para apurar responsabilidade são outros. No mínimo, se entendermos que o que ocorreu hoje em Brasília foi crime, seria necessário discutir a responsabilidade penal de Bolsonaro por ter incitado", disse ao portal.

Em janeiro de 2021, Bolsonaro afirmou que se o voto impresso não fosse introduzido em 2022, o Brasil teria “um problema pior que os Estados Unidos” - que na época teve o Congresso invadido por seguidores de Donald Trump. Essa parte da população, assim como ocorre com os bolsonaristas, estava insatisfeita com o resultado das eleições.

É por essa razão que o episódio de ontem vem sendo chamado de “Capitólio brasileiro” por parte da imprensa internacional, que ainda destaca que o ocorrido em Brasília foi muito pior do que o visto nos EUA.