Hospital entrega rim de paciente em saco plástico à família na Bahia

Hospital (Foto: Getty Images)
Hospital (Foto: Getty Images)

Familiares de um jovem de 21 anos cobram respostas do Hospital Geral Menandro de Faria (HGMF), em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador, na Bahia, após receberem da equipe médica da unidade o rim do rapaz em um saco plástico.

A situação aconteceu na última sexta-feira (22), após Jeferson Oliveira Bispo, de 21 anos, ter passado por uma cirurgia no hospital, depois de ter levado um tiro e perder um dos rins.

Segundo familiares, depois do procedimento cirúrgico a equipe médica entregou o órgão à família da vítima em um saco plástico.

Andreza Silva, namorada de Jeferson, o acompanhava nos atendimentos. Ela relatou que foi chamada pela equipe médica da unidade, e foi informada de que precisaria pegar "uma peça" do namorado".

Segundo ela, ao chegar à área do hospital em que faria a retirada desse material, Andreza percebeu que estava segurando o rim do companheiro e ficou assustada.

Ainda de acordo com a namorada do jovem, o órgão foi entregue junto com uma solicitação de exame de anatomia patológica, e a indicação de clínicas onde o procedimento poderia ser feito.

“Até então, deram um saco na minha mão e no saco eles diziam que era uma peça. Depois disso, ela [médica] veio até a mim para dizer que era o rim dele. Até então, a gente não sabia de nada disso e só soube depois da visita que era o rim. Isso foi no sábado [23], e ela falou que até segunda [25], a gente tinha que fazer esse exame”.

Luciano Bispo, pai de Jeferson, esteve no hospital horas após Andreza receber o rim do namorado, e questionou a unidade de saúde sobre o procedimento.

“É uma situação muito complicada, difícil. A gente fica estarrecido com uma situação dessa. Eu queria uma resposta do hospital, porque eu nunca vi uma coisa dessas. O hospital é um órgão, um rim de uma pessoa e dá para os familiares levarem para casa e poder fazer exame. É uma situação difícil, eu quero do hospital uma resposta”, pediu ele.

O pai do jovem, disse ainda que sem ter respostas do hospital, foi orientado pela própria família a prestar queixa na Delegacia de Portão. Ele relatou que, ao buscar esse atendimento, foi maltratado e constrangido pelos policiais, e que por isso a ocorrência não foi registrada.

O crime

Jeferson trabalha com entrega de alimentos por meio de aplicativo. No dia em que foi baleado, ele foi abordado por homens armados enquanto passava por uma das ruas do bairro de Itinga. Moradores socorreram o jovem para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Por causa da gravidade do ferimento, Jeferson foi regulado e transferido para o Menandro de Faria. Na unidade, os médicos não encontraram o projétil que atingiu o jovem, mas fizeram uma cirurgia para conter o sangramento.

O que dizem os envolvidos

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou em nota nesta terça-feira (26) que apura a situação, decorrente de uma "falha no fluxo do atendimento". O paciente segue internado na unidade, e o estado de saúde dele é estável.

Segundo o Hospital Geral Menandro de Faria (HGMF) o órgão foi entregue aos familiares para realização de uma biópsia, porque a unidade não possui laboratório de anatomia patológica. Inicialmente, antes de informar que apura o caso, a Sesab confirmou a entrega do material à família.

Já a Polícia Civil, em nota, disse que disponibiliza tanto a Ouvidoria quanto à Corregedoria, para que seja formalizada a denúncia de mau atendimento. Informou ainda que não" coaduna com as atitudes relatadas".

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