Hospital explica caso de mulher que teve braço amputado após dar à luz; entenda

Família, porém, apontou incoerências na manifestação do centro médico

Hospital tentou justificar amputação de braço de mãe - Foto: Reprodução/TV Globo
Hospital tentou justificar amputação de braço de mãe - Foto: Reprodução/TV Globo

O Hospital Notre Dame Intermédica Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, manifestou-se nesta sexta-feira (20) sobre o caso da mulher que teve mão e punho amputados após dar à luz na unidade.

Em nota enviada ao portal UOL, a unidade afirmou que precisou decidir pela retirada do membro após uma "irreversível piora no quadro" da jovem.

"Devido à irreversível piora do quadro com trombose venosa de veias musculares e subcutâneas, houve a necessidade de se optar pela amputação do membro em prol da vida da paciente", comunicou.

Na última quinta, o hospital já havia anunciado o afastamento da liderança médica regional, depois que o caso ganhou repercussão na imprensa.

O que alega o hospital:

  • A mulher tinha histórico de múltiplas gestações, com complicações, o que aumenta o risco de hemorragia pós-parto;

  • Bebê nasceu saudável, sem intercorrência no parto;

  • Paciente teve quadro de hemorragia pós-parto, evoluindo para choque hemorrágico grave secundário;

  • O quadro é responsável por 60% das mortes maternas no período pós-parto;

  • Medidas adotadas garantiram sobrevivência da paciente;

  • Braço esquerdo foi tratado após os primeiros sinais de isquemia secundário ao choque hemorrágico;

  • Medidas priorizaram salvar a vida da mulher

  • Paciente recebeu assistência de todos os médicos

Entenda o caso

Gleice Kelly Gomes Silva, de 24 anos, deu entrada no hospital em 9 de outubro do ano passado para dar à luz seu terceiro filho. Após o parto, ela apresentou quadro de hemorragia e precisou ser transferida para outra unidade da mesma rede, em São Gonçalo.

Um acesso no braço esquerdo da vítima também preocupava, por conta do inchaço e da cor roxa em sua mão. Segundo a família, porém, somente 12 horas após o aparecimento dos sintomas, os funcionários mudaram o acesso de lugar.

Quatro dias depois, a jovem e a família foram informados sobre a necessidade de amputação do membro. A família questionou seguidas vezes o hospital sobre o caso, mas não obteve resposta.

Revolta e investigação

A advogada da família, Monalisa Gagno, manifestou a revolta dos parentes e garantiu que diversos pontos da explicação do centro médico não são verdadeiros.

"Tudo o que foi feito está no prontuário e será apurado. A verdade vai vir à tona e muita coisa que está ali não procede e não justifica o que aconteceu. Não tinha UTI no momento que ela precisava. Se ela tinha esse quadro, esse histórico, eles jamais poderiam ter internado ela ali, num hospital que não tinha como socorrê-la", declarou ao UOL.

O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) abriu sindicância de ofício para apurar o caso. O episódio também está sendo investigado pela 41ª DP, que ouvirá parentes de Gleice na próxima segunda-feira (23).