Hospital federal no RJ gasta R$ 54,4 milhões em contratos sem licitação com ex-gráfica

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A box and blister pack of generic  Omeprazole pills
Empresa forneceu medicamento omeprazol e luvas descartáveis. Foto: Getty Images.
  • Compra foi realiada pelo Hospital Federal Bonsucesso, vinculado ao Ministério da Saúde

  • Empresa surgiu como gráfica em 2019 e mudou de rumo na pandemia

  • Itens eram para tratar pacientes com covid-19

O Hospital Federal de Bonsucesso, maior unidade vinculada ao Ministério da Saúde no estado do Rio de Janeiro, fechou contratos sem licitação com uma pequena gráfica do Guapimirim, que mudou de rumo para fornecimento de remédios e material hospitalar durante a pandemia. No total, a empresa recebeu R$ 54,4 milhões do hospital. As informações são do portal UOL.

A Fábrica de Ideias Gráfica, fundada em 2019, passou a se chamar Worldpharms. Sob novo perfil, há provas que apontam superfaturamento e de falhas na documentação da empresa, além de atrasos na entrega dos materiais, de acordo com processos administrativos consultados pelo UOL.

Só no primeiro semestre deste ano, 0 Hospital Federal de Bonsucesso desembolsou R$ 1,387 milhão para a compra de ampolas de omeprazol e luvas descartáveis junto à Worldpharms.

Enquanto isso, o governo estadual do Rio de Janeiro gastou R$ 2,4 milhões de um total de R$ 53 milhões previstos em três contratos, assinados em setembro, para a contratação de medicamentos utilizados na intubação de pacientes com covid-19.

No início de novembro, o prazo para entrega dos itens expirou, mas apenas 10% das 1,8 milhão de ampolas de remédios usados em intubação foram entregues.

Esses atrasos somados à queda de internações por covid-19 fizeram com que a Secretaria Estadual de Saúde cortasse pela metade o valor dos contratos, através da assinatura de termos aditivos.

Ao portal, a Worldpharms disse que pratica "valores de mercado", "dentro dos parâmetros legais" e que "vem entregando os produtos [atualmente ao estado do RJ] conforme disponibilidade e necessidade do uso".

Já a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que as compras foram realizadas "com a participação direta da Procuradoria-Geral do Estado, e acompanhamento de órgãos de controle interno e externo, como Ministério Público Estadual (...) buscando a maior transparência possível, por meio da divulgação de documentos e demais ações administrativas".

Por sua vez, o Hospital Federal de Bonsucesso enviou uma nota, através da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio, em que declara que "as compras citadas [pela reportagem] encontram-se em processo de auditoria pelo Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde)".

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