Hospital Geral de Bonsucesso: de emergência improvisada em contêiner a denúncia de ação de milícia

Liane Gonçalves
·2 minuto de leitura
Hospital de Bonsucesso sempre foi cercado de polêmicas
Hospital de Bonsucesso sempre foi cercado de polêmicas

Dos seis hospitais gerais do governo federal no Rio, o de Bonsucesso sempre foi o que esteve mais cercado de polêmicas. Uma das principais queixas dos pacientes era o setor de emergência, que funcionou em contêineres até 2018. Foram sete anos de improviso até a inauguração da reforma do novo espaço. Já no início do ano passado, o então ministro da Secretaria Geral da Presidência Gustavo Bebianno afirmou que uma milícia atuaria dentro da unidade. Na época, fontes confirmaram que o então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta tinha recebido ameaças por telefone, horas antes de interferir na gestão do hospital.

O caso teve tanta repercussão que agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) fizeram uma ação preventiva para verificar as condições de segurança no entorno do hospital e coletaram informações com funcionários. O governo federal chegou a anunciar que militares assumiriam a direção de todas as unidades no Rio. Só em junho passado, no entanto, um coronel da reserva do Exército foi nomeado superintendente do Ministério da Saúde no estado.

Mandetta teria recebido ameaças após a exoneração no fim de janeiro do ano passado da então diretora Luana Camargo, que tinha organizado uma festa de R$ 156 mil para comemorar os 71 anos da unidade, em meio a denúncias de falta de insumos básicos. Servidores do Bonsucesso contaram, na época, que Luana e sua equipe tinham sido indicadas por um deputado federal.

Já este ano, em plena pandemia, o hospital foi acusado de não aceitar pacientes com Covid-19. Em maio, a Justiça Federal intimou o Ministério da Saúde a substituir a direção do Bonsucesso por omissão no enfrentamento da doença. A juíza Carmen Silvia Lima de Arruda, da 15ª Vara Federal, acusou a direção da unidade de negligência na criação de um plano de contingência. Numa visita à unidade, o então ministro da Saúde Nelson Teich verificou que o hospital funcionava abaixo de sua capacidade.