Hospital no RJ interrompe tratamento de pacientes com câncer por problema no ar-condicionado

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Foto: Pedro Zuazo
Foto: Pedro Zuazo

Pacientes com câncer que fazem radioterapia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão, na Ilha do Governador, tiveram o tratamento interrompido por causa de um problema no ar-condicionado. De acordo com a direção da unidade, o serviço está com o atendimento restrito desde o último dia 16, quando quebrou o compressor do aparelho que refrigera a sala onde as sessões são realizadas.

Como o equipamento de radioterapia precisa de um ambiente climatizado para funcionar, estão sendo priorizados pacientes de urgência e os que já estão na fase final tratamento. Dos cerca de 60 pacientes que o setor recebe por dia, apenas 20% têm sido atendidos. Em nota, o hospital informou que a peça "já está sendo providenciada e a previsão é de que o atendimento seja totalmente retomado na próxima semana".

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A incerteza sobre a data de retomada do tratamento preocupa os que tiveram as sessões interrompidas.

— Nosso receio é que essa interrupção nas sessões tenha um impacto severo no tratamento contra o câncer. Várias vidas estão em jogo ali e, apesar da gravidade disso, o hospital não dá nenhuma previsão. Liguei hoje (terça-feira) no setor de radioterapia e disseram que a manutenção ainda nem foi lá e estão aguardando um posicionamento — reclama uma paciente, que pede anonimato.

De acordo com a paciente, além de não dar um prazo o hospital não deu qualquer tipo de orientação. Em nota, o chefe do serviço de radioterapia da unidade, Paulo Cesar Canary, afirma que os pacientes foram informados e orientados a respeito da situação: "Todos foram orientados. Explicamos os motivos e estamos disponíveis para o atendimento médico deles".

Diretor do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), o cirurgião oncológico Luiz Fernando Nunes afirma que a interrupção das sessões de quimioterapia pode ter como consequência uma redução na eficácia do tratamento.

— Quando você interrompe o tratamento, há um impacto negativo no final da resposta do tumor. O tratamento é feito de forma sequencial e vai destruindo as células dos tumores. Essa interrupção pode impossibilitar que o objetivo do tratamento seja alcançado com maior eficácia. O risco é a doença progredir ou evoluir com metástase (migração do tumor para outra parte do organismo) — diz o especialista.

De acordo com Nunes, os pacientes poderiam ser direcionados para outras unidades de tratamento, já que a regulação de vagas para a radioterapia no estado do Rio é feita pelo sistema Reuni-RJ, que abrange unidades como o Hospital do Fundão e o Inca.

Bonsucesso sem oncologia

Em outra unidade da rede federal, o Hospital Federal de Bonsucesso, o problema enfrentado pelos pacientes é a falta de oncologistas. Como mostrou reportagem do telejornal "Bom Dia Rio", o único médico que atuava no setor entrou de licença, sem previsão de retorno.

A unidade, que já foi referência no tratamento de câncer, contava com nove oncologistas, que atendiam cerca de 300 pacientes por mês. Nos últimos meses, no entanto, os médicos foram pedindo demissão e restou apenas um especialista, que agora entrou de licença.

Em nota, a direção do hospital informou que todos os pacientes oncológicos estão sendo transferidos para os demais hospitais da Rede Federal do Rio, para não haver interrupção de dar continuidade ao tratamento quimioterápico, priorizando os casos graves.

"É importante informar que os medicamentos necessários aos pacientes, assim como todos os prontuários com o histórico assistencial de cada caso também estão sendo encaminhados para as unidades. As cirurgias oncológicas continuam sendo realizadas no HFB. Todos os esforços estão sendo envidados para manter a assistência aos pacientes", diz a nota.

***Por Pedro Zuado, do Extra