Hospitalizações por Covid nos EUA batem recorde com avanço da ômicron

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FLORIANÓPOLIS, SC (FOLHAPRESS) - A chegada da variante ômicron aos Estados Unidos tem causado não só uma onda avassaladora de casos de coronavírus, mas também levado a uma alta vertiginosa das hospitalizações por Covid-19. Até o último domingo (9), a soma das admissões nos sete dias anteriores chegou a um recorde de 142.126, segundo dados compilados pela plataforma Our World in Data.

O número é 20,8% maior do que o registrado no pico anterior, exatamente um ano antes, quando as internações atingiram a cifra de 117.656. Ao aumento das hospitalizações soma-se o complicador de esses pacientes chegarem a hospitais que têm enfrentado falta de médicos e enfermeiros --muitos profissionais precisam de afastamento por terem eles próprios se infectado.

De acordo com dados compilados pelo jornal The New York Times, o Distrito de Columbia lidera o ranking entre os estados, com a taxa de 124 internados por 100 mil habitantes, um aumento de 195% em relação a duas semanas atrás. Já Louisiana foi o que viu a maior alta, de 341% --são hoje 32 internados por 100 mil habitantes.

Mesmo que infectados com a nova variante venham apresentando sintomas mais leves, o número de internados com Covid em UTIs nos EUA está novamente em alta, ainda que abaixo dos picos anteriores de setembro e janeiro do ano passado --os dados estão disponíveis no Our World in Data desde julho de 2020, não permitindo uma avaliação do início da pandemia.

No domingo, eram 26.630 pacientes em unidades intensivas, comparados a 26.099 em 7 de setembro e 28.891 em 12 de janeiro de 2021.

A nova cepa é ainda altamente transmissível, e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA divulgou a estimativa nesta terça (11) de que a ômicron já é responsável por 98,3% dos novos casos registrados no país.

Nesta segunda (10), os EUA tiveram o recorde de 1,48 milhão de diagnósticos --a média móvel de sete dias, que atenua efeitos como picos por dados represados, está em 735.958, patamar nunca antes visto. Uma projeção do Instituo para Métricas e Avaliação de Saúde (IHME, na sigla em inglês), da Universidade de Washington, avalia, porém, que o número é muito maior, devido à probabilidade de muitas infecções não serem detectadas, seja porque as pessoas não apresentam sintomas, seja por não terem acesso ao exame.

Assim, o IHME sugere que os EUA podem já ter atingido um pico de 6 milhões de casos em um dia, alimentado em grande parte pela ômicron, podendo ainda ter uma queda significativa deste ponto até o fim do mês.

O impacto nos sistemas de saúde, em escolas e na economia, por outro lado, podem não se resolver tão facilmente, mesmo com a queda de infecções. O surto de casos e hospitalizações forçou americanos a cancelar planos de viagem, interrompeu apresentações culturais e bagunçou a volta às aulas e aos escritórios.

A Cruz Vermelha já declarou uma crise nacional no banco de sangue, com uma queda de 10% no número de doadores, ressaltando que a pandemia levou a cancelamentos nas doações e limitações de equipe. Segundo a organização, o número vem em queda desde que a variante delta começou a se espalhar no país, em agosto, e a tendência continuou com a ômicron.

Apesar do cenário, o presidente Joe Biden defendeu nesta terça a resposta de sua gestão. "[Estou] Confiante que estamos no caminho certo."

A diretora do CDC foi na mesma linha e disse que o país tem as ferramentas necessárias para combater a variante altamente transmissível. "Estamos trabalhando rapidamente para nos adaptarmos", afirmou ao Comitê de Saúde, Trabalho, Educação e Aposentadoria do Senado.

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