"House of Holes" marca o retorno de Nicholson Baker ao romance erótico

Madri, 17 fev (EFE).- Após "Vox", o livro que Bill Clinton ganhou de Monica Lewinsky, e "The Fermata", o americano Nicholson Baker volta ao romance erótico com "House of Holes" ("Casa dos Buracos" em tradução livre), um título irônico que permite muitas interpretações.

"O que eu posso dizer, o sexo é uma das coisas mais estupendas, e com este livro desfrutei mais que com nenhum outro. Escrever é algo estranho, porque às vezes é difícil, mas com este livro não foi", afirmou Baker à Agência Efe por telefone de sua casa em uma pequena cidade do estado do Maine, próximo a Boston.

O escritor americano transita entre a ficção e não-ficção, pois sua carreira inclui desde um ensaio sobre a política de conservação histórica dos arquivos das bibliotecas, até um livro sobre a Segunda Guerra Mundial ("Human Smoke") e um recente romance sobre o bloqueio criativo de um poeta mal sucedido ("The Anthologist").

"House of Holes" começa quando a adolescente Shandee encontra em uma caverna um braço com grandes habilidades sexuais, que foi abandonado por seu verdadeiro dono em troca de um pênis maior.

Assim, Shandee em sua afobação para encontrar o dono do braço, é conduzida a uma espécie de resort de luxo, um "lugar louco", gerenciado por Lili, onde todos podem realizar suas fantasias sexuais e onde se pode entrar pelos lugares mais inusitados: desde uma câmara de bronzeamento solar até pelos buracos de um campo de golfe.

A insólita viagem dos protagonistas para chegar à "Casa dos Buracos" fez com que certos críticos associassem a obra a "Alice nos País das Maravilhas".

Porém, Baker explicou que o clássico de Lewis Carroll é uma história "muito inocente e séria", e ele prefere a comparação com o quadro "O Jardim das Delícias", de Bosco, e à incrível viagem descrita no filme de animação "The Yellow Submarine" baseado na canção dos Beatles.

Os romances e o cinema erótico "lembram mais algo obscuro, perigoso", define o escritor americano, que, pelo contrário, aposta em um humor surrealista, muita diversão e um vocabulário criado para descrever com exuberância as delirantes situações.

Baker, que já prepara outro romance e que demorou dois anos para escrever este livro, tem uma sólida formação, que começou na música, disciplina que hoje não exerce. No entanto, reconhece que se "House of Holes" fosse música, com certeza seria "música dance".

"Escrever é a ilusão de criar movimento", concluiu. EFE

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