HRW denuncia 'abusos gravíssimos' por parte da polícia colombiana em protestos

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A polícia de choque se dirige a manifestantes que bloqueiam uma rodovia durante um novo protesto antigovernamental em Medellín, Colômbia, em 16 de maio de 2021

A ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta quarta-feira(9) "abusos gravíssimos" cometidos pela polícia colombiana, que acusa de estar supostamente envolvida em 20 homicídios em meio aos massivos protestos antigovernamentais que eclodiram em 28 de abril.

Em um relatório, a organização especificou que 16 das vítimas foram baleadas por agentes com a intenção de "matar".

O governo "deve tomar medidas urgentes para proteger os direitos humanos e iniciar uma reforma policial profunda para garantir que os policiais respeitem o direito de reunião pacífica e os responsáveis por abusos sejam levados à justiça", disse a HRW em um relatório sobre os excessos que serão apresentados hoje ao presidente Iván Duque.

Os ataques "não são incidentes isolados por agentes indisciplinados, mas o resultado de falhas estruturais profundas", acrescentou o relatório.

O diretor para as Américas da ONG, José Miguel Vivanco, assegurou em entrevista coletiva virtual ter recebido "relatos confiáveis" de 34 mortes no contexto das manifestações, das quais 20 aparentemente ocorreram nas mãos da polícia, 16 por balas destinadas a "órgãos vitais".

"As autópsias sugerem que os oficiais atiraram para matar", disse Vivanco.

A HRW aplaudiu a iniciativa de Duque de reformar o corpo policial, mas considerou que algumas medidas são "cosméticas", pois não apontam para uma transformação fundamental.

A organização recomendou a transferência da polícia do Ministério da Defesa para o Ministério do Interior ou para um novo Ministério da Segurança, como é o caso em outros países latino-americanos.

“A polícia continua agindo com uma cultura de conflito armado, com uma doutrina do inimigo interno, com procedimentos que não são exatamente próximos aos cidadãos”, explicou Vivanco.

Para o diretor regional da HRW, Duque tem sido “lento e não correspondeu à necessidade de condenar em termos inequívocos as gravíssimas violações dos direitos humanos” por parte dos militares.

Insistir que se trata de "maçãs podres" é "um erro" e um "esforço para minimizar" que "não ajuda a promover uma reforma fundamental" na força pública, enfatizou Vivanco.

Pediu também a apresentação de provas da responsabilidade dos dissidentes das Farc e dos guerrilheiros do ELN nos excessos, já que esta afirmação do governo gera "mais indignação nos que protestam", "os estigmatiza" e envia "a mensagem errada" à força pública de que estariam "enfrentando um inimigo perigoso".

Com um conflito armado de mais de meio século, a Colômbia enfrenta um movimento de protesto sem precedentes, formado em sua maioria por jovens que exigem uma mudança de direção do governo, uma reforma da polícia e um estado mais solidário para administrar a devastação econômica causada pela pandemia, que aumentou a pobreza de 37% para 42% da população.

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