IFA 2019 | Huawei P40 pode ser o primeiro smartphone a vir com HarmonyOS

Rui Maciel

No último dia 09 de agosto, a Huawei exibiu o Harmony OS, seu próprio sistema operacional, que integrará uma série de produtos da marca. Durante a apresentação, o diretor executivo da divisão de consumo da fabricante, Richard Yu, falou sobre as diversas funcionalidades da plataforma, mas deixou de fora o seu uso nos smartphones. No entanto, em entrevista coletiva dada durante a IFA 2019 (feira de Tecnologia que acontece essa semana em Berlim), ele afirmou que considera usar o SO já no Huawei P40, que pode ser lançado em março de 2020.

Segundo Yu, "a Huawei ainda está associada com o Google. Mas agora, o governo norte-americano nos colocou em uma posição em que é impossível seguir utilizando os serviços mobile do Google em nossos novos produtos nos EUA".

O executivo deixou claro que o Harmony OS já está pronto para ser usado em smartphones, mas que aguarda uma mudança na relação da empresa com os EUA. Atualmente, a Huawei é acusada de espionagem pelo governo de Donald Trump e foi incluída em uma lista negra pelo Departamento de Comércio daquele país, que proíbe que companhias locais realizem negócios com ela sem autorização prévia. Com isso, gigantes da Tecnologia como Qualcomm, Microsoft e, principalmente, o Google (que fornece licenças e suporte para o Android) podem suspender as parcerias comerciais com a fabricante chinesa.

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"Se continuarmos sendo impedidos de usar os serviços mobile do Google em nossos celulares, então creio que consideramos usar o Harmony OS [em nossos smartphones]", assegurou. "Ou seja, o primeiro produto com o Harmony OS, talvez, seja o P40, que chegará na próxima primavera, em março de 2020".

Durante a coletiva, Yu também mencionou que o seu sistema operacional tem sua própria loja de aplicativos, uma espécie de "Harmony Mobile Services", que subsituiria a Play Store. Além disso, esta plataforma já teria uma lista de apps adaptados, tanto próprios, como de terceiros.

Além disso, as declarações de Yu encerram as especulações de que o Mate 30 - cujo lançamento está previsto para o dia 19 de setembro - seria o primeiro modelo da marca a trazer o Harmony OS. No entanto, ele poderá chegar sem os serviços Android, incluindo aplicativos e o suporte do Google.

Compatibilidade com o Android 

Ainda que o Harmony OS seja um sistema operacional proprietário, seu kernel está baseado em Linux. Logo, ele é capaz de ler e executar aplicativos Android. Além disso, seu desenvolvimento prevê também compatibilidade com aplicações HTML5, bem como a adaptação para diversos tipos de tela, incluindo as dobráveis, como a que integra o Mate X.

O Harmony OS está baseado em uma estrutura de microkernel, o que o torna muito mais versátil, já que ele não utiliza um kernel universal para todos os dispositivos, mas núcleos menores, centrados em diferentes áreas do sistema operacional. Com isso, se consegue um núcleo mais compacto e capaz de ser executado em diferentes plataformas de forma otimizada. Além disso, esta estrutura impede que sejam executadas permissões de root para apps externos, como acontece no Android, dando mais segurança ao usuário.

A Huawei também assegurou que o Harmony OS será capaz de funcionar até mesmo em dispositivos de entrada, de menor desempenho. Para isso, a plataforma conta com uma arquitetura distribuída, que permite aos desenvolvedores criar um único aplicativo e que deixa ao sistema operacional a decisão de como mostrar e executar o app em cada produto.

Para conseguir isso, o sistema operacional da Huawei conta com uma engenharia de latência que estabelece a prioridade de execução de cada tarefa. Dessa forma, ele consegue tornar o rendimendo do IPC mais eficiente, melhorando o rendimento do dispositivo.

Agora, caso a situação com o governo norte-americano não mude, é esperar para ver se a Huawei conseguirá emplacar o Harmony OS em massa, conquistando os usuários, ou se ele se tornará um sistema operacional secundário, a exemplo do Tizen OS, criado pela Samsung.

Fonte: Canaltech

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