Humanidade gastou em 7 meses os recursos naturais de todo o ano

*Arquivo* Manifestantes protestam contra a crise climática em Glasgow, durante a COP26. (Foto: Ana Estela de Sousa Pinto/Folhapress)
*Arquivo* Manifestantes protestam contra a crise climática em Glasgow, durante a COP26. (Foto: Ana Estela de Sousa Pinto/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Esta quinta-feira (28) marca o Dia da Sobrecarga da Terra, data que sinaliza o momento no qual a humanidade já consumiu os recursos naturais que o planeta é capaz de gerar durante um ano. Em outras palavras, é como se em sete meses os seres humanos tivessem gasto um saldo que deveria durar o ano inteiro e, a partir de hoje, entrassem no negativo do banco chamado Terra.

Em 1971, quando a conta começou a ser feita, a marca foi alcançada em 25 de dezembro, porém de lá para cá os recursos vêm sendo utilizados de forma acelerada. Mesmo a pandemia de Covid, que em 2020 adiou a data para 22 de agosto, não alterou permanentemente os padrões de consumo. Em 2021, o Dia da Sobrecarga voltou a adiantar e caiu em 29 de julho.

O cálculo é realizado pela organização Global Footprint Network, que divide a quantidade de recursos que a Terra é capaz de gerar por ano pela demanda anual da humanidade e multiplica o valor por 365 dias. Os dados são apresentados globalmente e de forma individual, por país.

"Temos uma posição mais privilegiada na relação pegada ecológica x biocapacidade se compararmos o Brasil com países como Estados Unidos, China e praticamente todas as nações europeias. Mas, se o mundo inteiro consumisse recursos naturais como no Brasil, ainda assim precisaríamos de 1,6 planeta Terra por ano", afirma Felipe Seffrin, coordenador de comunicação do Instituto Akatu, organização que trabalha em prol do consumo responsável.

No caso do Brasil, o Dia da Sobrecarga cairá em 18 de agosto. A diferença de três semanas em relação à conta global, contudo, não deve ser vista como um bônus. "A biocapacidade per capita no Brasil vem caindo ano a ano e a pegada ecológica vem aumentando. Com recordes anuais de queimadas, desmatamentos e degradação de ecossistemas, estamos gastando nosso 'crédito' em vez de servirmos de exemplo para o mundo", diz Seffrin.

Ele lembra ainda que os impactos do consumo além dos limites do planeta, como o aumento de eventos climáticos extremos, afeta a todos, e quanto mais a dívida for adiada, mais pesada ficará para as próximas gerações. "É um problema que precisa de respostas e ações coletivas hoje, não amanhã", defende.

"Cerca de 86% dos brasileiros desejam reduzir seu impacto individual sobre o meio ambiente e a natureza, contra 73% da média mundial. Ainda vemos ações muito limitadas por parte de empresas e governos para atender a essa demanda crescente, mas podemos contribuir a partir das nossas escolhas e da prática do consumo consciente em nosso dia a dia, recolocando o Brasil como um dos líderes mundiais em questões ambientais".

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